Brasil Econômico – Venda da Ferretti a chineses não inclui Brasil

19/01/2012

Endividado, estaleiro icônico foi assumido pelo grupo SHIG há uma semana

Naiara Bertão

A subsidiária brasileira da Ferretti, maior estaleiro de barcos de luxo do mundo, não sofrerá com a mudança de comando da matriz italiana. Há pouco mais de uma semana, o controle da empresa foi comprado pelo grupo chinês Shandong Heavy Industry Group -Weichai (SHIG), produtor de veículos pesados e maquinários de construção. A fundada em dívidas, que cresceram durante a crise econômica de 2008, a empresa precisou de capital para se manter ativa.

“A unidade brasileira é independente da italiana, apesar dos moldes de barcos, marcas e lançamentos virem todos da Europa”, afirma Márcio Christiansen,presidente da unidade brasileira da Ferreti. “Hoje pagamos apenas os royalties à Ferretti porque em 1997 compramos a participação da compahia em nosso negócio (de 40%). Em 2008, eles queriam comprar nova fatia, mas a crise não permitiu”,diz o executivo. Christiansen passou os últimos dias tranquilizando os funcionários do estaleiro, localizado em Vargem Grande Paulista (SP).

Sob nova direção

Christiansen espera que os chineses interfiram pouco no modelo de negócio da Ferretti, que continuará a ser presidida pelo fundador, o italiano Norberto Ferretti, e mais na gestão de processos, principalmente para reduzir custos. Em comunicado,o presidente da SHIG, Tan Xuguang,o desenvolvimento da divisão de iates será estratégico nos próximos cinco anos e a Ferretti foi escolhida por ser uma companhia icônica, com alta tecnologia, produtos de qualidade e extensa rede de vendas.

Ao todo, o grupo chinês investiu € 374 milhões para adquirir 75% do estaleiro italiano (sendo € 178 milhões diretamente e uma dívida de financiamento de € 196 milhões, que já foi renegociada e obteve desconto de 30%). Outros 12,5% das ações continuam nas mãos de Norberto e o restante com executivos da empresa.

“Não se sabe nada oficial sobre transferência de produção para a China e não faz muito sentido fabricar partes dos barcos em países separados, principalmente por dificuldades de transporte.Os iates são compostos por peças grandes e pesadas”,comenta Christiansen. A Ferretti espera faturar R$ 350 milhões no Brasil em 2012.

Para o presidente brasileiro, a Ferretti é a primeira de outras empresas produtoras de iates que devem buscar investidores para se financiar.

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