Infomoney – Rumo ao estrelato: OGX já é a nova blue chip da BM&F Bovespa?

07/05/2010

Com quatro meses de participação no Ibovespa, as ações da petrolífera já figuram na terceira posição em negociação do índice

Naiara Bertão

SÃO PAULO – Com menos de dois anos de capital aberto e quatro meses de Ibovespa, o braço de petróleo e gás do Grupo EBX busca ser a mais nova estrelinha da bolsa brasileira. A OGX Petróleo (OGXP3) já aparece como a terceira em volume de negociação do Ibovespa, atrás apenas das gigantes Vale (VALE5) e Petrobras (PETR4).

Os dados de abril são claros: as preferenciais classe A da Vale consolidam a primeira posição com R$ 17,76 bilhões negociados no mês e participação de 18% no volume total do índice. As ações preferenciais da Petrobras ocupam o segundo lugar no pódio com o R$ 14 bilhões em negócios e 14% da fatia.

Em terceiro vem a nova queridinha dos analistas, a OGX, desbancando inclusive empresas de tradição de peso do Ibovespa, como CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), BM&F Bovespa, Itaú Unibanco e Gerdau. Seu volume ultrapassou R$ 6,28 bilhões em abril, com um pedaço de 6,4% da pizza de volume total do mês.

Fonte: BM&FBovespa

Presença
Tamanho fôlego é ainda mais impressionante quando analisada a evolução da empresa no Ibovespa, tanto em termos de desempenho de preço quanto em participação na carteira. Em preço, a comparação mostra que a OGX ganhou o dobro do índice em 12 meses, saltando de R$ 8,30 por papel (R$ 830,00 antes do desdobramento por 100) para R$ 16,30 no último fechamento (5/5).

Desempenho
Ação 7 dias 30 dias 2010 365 dias
OGXP3 -3,78% -4,57% -4,68% +96,38%
PETR3 -6,32% -15,04% -17,59% -13,73%
PETR4 -6,73% -15,48% -17,05% -3,12%
Ibovespa -2,61% -8,94% -5,36% +28,11%
Fonte: BM&FBovespa com base no fechamento de 5/5

Já no caso de participação, a nova composição do Ibovespa mostrou o apetite dos investidores pela OGX: as ações OGXP3 foram destaque de ganhos absolutos e ganhos relativos entre as alterações. Em termos absolutos, a companhia ganhou 1,555 ponto percentual, mudando sua participação de 0,868% para 2,423%.

É importante destacar que a OGX entrou no Ibovespa neste ano, juntamente com a LLX Logística (LLXL3), empresa de logística do mesmo grupo. Ou seja, com apenas um quadrimestre, a companhia já lidera os destaques e sobe muitas posições na composição da carteira, estando abaixo apenas de nove empresas.

Tudo isso representa um ganho relativo de participação no índice de 179,15%, bem na frente da segunda maior mudança, a PDG Realty (PDGR3), com 62,24% e da terceira, a MRV Engenharia (MRVE3), que ganhou 42,79% de participação.

Fonte: BM&F Bovespa

IPO recorde
Em julho de 2008, a OGX se tornou a terceira empresa do grupo EBX a abrir capital. Na época, a distribuição de ações foi recorde, com uma captação de R$ 6,71 bilhões. Até então, o primeiro lugar entre os maiores IPOs da bolsa pertencia à oferta da Bovespa Holding (BVMF3), que movimentou R$ 6,62 bilhões.

O IPO da OGX, visto naquele momento como desafiante devido às condições adversas do mercado (estouro da crise econômico-financeira mundial), também rendeu à companhia o posto de maior IPO do mundo no segundo semestre de 2008, de acordo com levantamento da Ernst & Young.

No ano seguinte, em 2009, o Santander (SANB11) e a VisaNet (atual Cielo; CIEL3) acabaram roubando as primeiras colocações do ranking brasileiro de IPOs, ao captarem R$ 14,10 bilhões e R$ 8,39 bilhões, respectivamente. A abertura de capital da OGX permanece em terceiro na lista.

Maiores IPOs do Brasil
Empresa Captação Mês/Ano
1º) Santander Brasil  R$ 14,10 bilhões Outubro/2009
2º) Cielo (ex-Visanet) R$ 8,39 bilhões Junho/2009
3º) OGX Petróleo R$ 6,71 bilhões Junho/2008
4º) Bovespa Holding R$ 6,62 bilhões Outubro/2007
5º) BM&F R$ 5,98 bilhões Novembro/2007
6º) Redecard R$ 4,64 bilhões Julho/2007
Fonte: Ernst & Young

Desde então
Com 18 meses de S.A. completados, a cláusula do estatuto da OGX que impedia a companhia de desdobrar seus papéis deixa de valer. É a deixa para a empresa entrar de vez em outro ranking: as mais negociadas.

Desde o anúncio de sua intenção de realizar o split na razão de 100 para 1, em agosto de 2009, até a aprovação da proposta, em dezembro, a empresa ganhou notabilidade e atenção de investidores menores.

“A empresa já tinha um volume de negócios grande antes do split, mas ele possibilitou entrada de investidores menores, o que aumentou muito a liquidez dos papéis”, explica o analista da Link Investimentos, Andrés Kikuchi.

De fato, segundo dados da BM&F Bovespa, o número de negócios com as ações da petrolífera subiu exponencialmente neste ano. Enquanto em novembro de 2009 foram realizados 19,86 milhões negócios com o OGXP3, em abril deste ano, o número saltou para 215,34 milhões, depois de marcar um recorde de 249,82 milhões em março.

Com isso, a participação dos papéis da companhia no número de negócios realizados no mês (mercado à vista) também avançou de 0,36% em novembro último para 3,53% no quarto mês deste ano.

O aumento de interesse se refletiu também no volume. Em abril, a empresa somou um volume de negociação de R$ 6,281 bilhões, representando 5,28% do volume total negociado no mesmo período em todo o mercado à vista da bolsa.

Em 12 meses (maio/2009 a abril/2010), o número de negócios ultrapassa a casa de 1 bilhão, o volume chega próximo a R$ 50 bilhões (exatos R$ 49,944 bi) e a fatia do volume sobre o total negociado fica em 3,77%. Neste intervalo, a média diária de volume passou de R$ 63,90 milhões (maio/09) para R$ 314,07 milhões (abril/10).

Fonte: BM&F Bovespa

A análise
“A empresa, além de ter um market capital elevado (R$ 50 bilhões), o que já torna a empresa uma das maiores da bolsa, faz parte de um negócio que é atualmente a principal alternativa de investimento à Petrobras no setor de petróleo”, comenta Kikuchi.

Outro ponto importante, na visão do analista da Link, é a entrega de resultados. Desde que anunciou a estimativa de 6,7 bilhões de barris de petróleo em recursos líquidos riscados e 212 milhões de boe em recursos contingentes líquidos, (em novembro de 2009), a companhia vem anunciando praticamente todas as semanas novas descobertas de indícios de hidrocarbonetos.

“Por mais que ela seja pré-operacional, ela tem um relatório de uma consultoria do setor, a DeGolyer & MacNaughton, que reduz boa parte das dúvidas com relação ao potencial da empresa”, diz Kikuchi.

Rumo ao estrelato
Para ele, enquanto a OGX continuar entregando os resultados (as descobertas) prometidas e seguir superando as expectativas do mercado, o risco de investimento em sua fórmula vai diminuir ao longo do tempo.

“O fato de ela ser pré-operacional dá certo medo no investidor, mas esses riscos já estão embutidos no preço, do ponto de vista fundamentalista. A taxa de desconto da OGX é maior que a da Petrobras, por exemplo”, comenta.

Isso, segundo o analista, vai se refletir também no próprio preço da empresa, no seu volume de negociação e no apetite dos investidores institucionais e pessoas físicas pelo papel. A OGX planeja começar as perfurações de alguns de seus 72 poços.

“Com informações saindo a todo o momento, isso altera o valor da empresa e dá mais apetite a investidores que buscam essa volatilidade em papéis. As descobertas de petróleo, anúncio de prospecção de poços. Existe uma expectativa bastante elevada com relação a operação e a prospecção”, adiciona Kikuchi.

Assim, o analista do setor de petróleo da Link Investimentos fala que a OGX já pode ser considerada uma blue chip, uma vez que já é grande em volume de negociação, participação no Índice e liquidez. “Se ela ainda não é considerada blue chip pelo mercado, está caminhando para ser em breve”, conclui.

A Link iniciou a cobertura das ações da OGX em março, com recomendação de outperform (desempenho acima da média de mercado). O preço-alvo estimado para dezembro de 2010 é de R$ 22,50, o que permite um potencial de valorização de 38% com base no fechamento do dia 5 de maio.

O poder do X
Com os números aumento juntamente com a expectativa de analistas, resta ainda a pergunta: as outras empresas do grupo EBX seguirão a mesma trilha da irmã de petróleo? Para o analista da Link Investimentos, André Kikuchi, é possível sim. Mas, ele ressalta que a OGX tem um diferencial importante que é seu setor.

 No ranking 2010 das empresas que mais geram receita, elaborado pela revista Fortune, a Exxon Mobil figura em segundo lugar com US$ 284,65 bilhões em faturamento e US$ 19,280 bilhões em lucro líquido.

A Chevron, também do ramo petrolífero, ficou com a terceira colocação, com US$ 163,52 bilhões de receita e US$ 10,48 bilhões de ganhos. Em 2009, das 10 primeiras do mesmo ranking, apenas três não eram do setor de petróleo. Do segmento, estavam no ranking Top 10 de 2009 de faturamento: Royal Dutch Shell (1º), Exxon Mobil (2º), British Petroleum (4º), Chevron (5º), Total (6º), ConocoPhillips (7º) e Sinopec (9º). A brasileira Petrobras ocupou a 34º no ranking geral de 2009.

Além disso, Kikuchi comenta que a mais cotada a ter volume, liquidez e desempenho próximos à OGX, no momento, é a LLX, a empresa de logística de Eike Batista.

“Para se tornar uma blue chip leva um bom tempo, ter um valor de mercado mais elevado, como ocorreu com a OGX. A LLX deve seguir o caso da OGX nos próximos semestres”, especula.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: