VEJA.com – “Mão” do governo pesou sobre a Bovespa em 2012

29/12/2012

Além do cenário econômico desfavorável, pacotes de Dilma penalizaram algumas ações negociadas em bolsa, como as da Petrobras e do setor elétricoNaiara Bertão

A “mão pesada” de Dilma Rousseff na economia em 2012 refletiu-se no desempenho de setores com peso importante na bolsa de valores brasileira. O caso do setor elétrico – cujas empresas listadas perderam 48 bilhões de reais em valor de mercado ao longo do ano – é o mais emblemático, mas não o único. Outras ações também sofreram com a perda de confiança de investidores, especialmente dos estrangeiros, que respondem por grande parte das operações da BM&F Bovespa. Ainda que os papeis também tenha sido penalizados por fatores “externos” – estagnação da economia global, desaceleração do crescimento chinês, problemas sérios com as dívidas dos países europeus, quadro ainda preocupante nos Estados Unidos, e agravado pela questão do abismo fiscal, etc –, analistas ouvidos pelo site de VEJA apontam que o “ativismo do governo” transformou-se numa marca do mercado acionário no ano.  Mesmo assim, o Ibovespa, índice de referência da Bovespa, chegou ao último pregão de dezembro com desempenho positivo: alta de 7,40% para 60 952 pontos.

“O ativismo do governo acabou causando certo temor no mercado, especialmente em relação a empresas que são ligadas a concessões públicas”, disse ao site de VEJA o analista de investimentos da corretora Coinvalores, Bruno Piagentini Caloni. Ele explicou que os papeis de companhias expostas a medidas do Palácio do Planalto operaram com maior volatilidade durante todo o ano, a exemplo de Petrobras, os bancos de forma geral, as elétricas e a ALL, que tem operações ferroviárias – setor que foi alvo de um pacote de concessões e mudanças regulatórias. As ações de empresas de telecomunicações também foram prejudicadas, ainda que de forma indireta, pelo governo. Ações fiscalizadoras mais rígidas por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) – que, inclusive, chegou a determinar a suspensão temporária das vendas de planos – acabaram levando a TIM, por exemplo, a figurar entre as maiores quedas de 2012 do Ibovespa, o índice de referência da bolsa brasileira.

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Alta voltagem – No tão falado caso do setor elétrico, a Medida Provisória (MP) nº 579 obrigou as empresas a confirmarem seu interesse em renovar suas concessões por mais 30 anos, de forma antecipada e sob novas condições – sem que, ao menos, elas soubessem detalhadamente quais seriam as novas tarifas e as compensações financeiras oferecidas pelo Planalto. De qualquer maneira, o interesse claro da presidente Dilma, neste caso, era que as renovações implicassem expressiva redução tarifária para que pudesse cumprir a promessa de entregar uma redução da conta de luz de, em média, 20% a partir de 2013.

Por concentrar boa parte dos ativos cujas concessões aproximavam-se do vencimento e por não ter como dizer não governo (seu acionista controlador), a Eletrobras foi a mais prejudicada, com queda acumulada de 61,36% em suas ações ordinárias e perda de 16,86 bilhões de reais em valor de mercado em 2012.

A briga por receitas maiores que as propostas pelo governo nas renovações acabou ganhando dimensões políticas – inclusive porque a própria presidente fez questão de fazer esse tipo de uso de um problema eminentemente técnico. De um lado, empresas com algum tipo de ligação com o Planalto – o próprio grupo Eletrobras, a CEEE do governo petista gaúcho, e a CPFL, controlada por fundos de pensão das estatais – aderiram prontamente à oferta. De outro, governos estaduais independentes simplesmente resolveram ficar com seus ativos até o vencimento para, em seguida, entregá-los ao governo federal para nova licitação. Em suma, disseram não à proposta da presidente sob a alegação de que a medida poderia por em risco o equilíbrio econômico-financeiro das companhias. Tal posição quase inviabilizou seu plano de reduzir a conta de luz em cerca de 20% em 2013. O porcentual só foi mantido porque ela resolveu botar a despesa adicional para assegurar a queda da tarifa na conta do Tesouro Nacional.

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Especialistas apontam que o Planalto tem bons argumentos para reduzir tarifas. As críticas recaem sobre a forma como isso foi feito. “Não questiono as atitudes do governo, mas acho que tudo foi realizado muito rapidamente – sem um diálogo adequado com o setor privado e os investidores para não gerar mal-estar”, comentou o estrategista da Gradual Corretora, Paulo Roberto Esteves. O que mais assustou o mercado, segundo o economista, foi a perda de previsibilidade sobre o desempenho futuro das companhias. “As elétricas sempre foram vistas como ações tranquilas, de baixa volatilidade, boas pagadoras de dividendos, fluxo constante de caixa e renda relativamente previsível ao longo do tempo. Isso mudou completa e bruscamente neste ano”, disse.

Esteves explica que tanto o pequeno quanto o grande investidor querem previsibilidade e segurança jurídica – justamente os dois pilares que, na avaliação dele, foram abalados pela atuação do governo. “Chegou a um ponto que o investidor não sabe mais o retorno que vai ter sobre seu investimento e se terá subsídio jurídico estável. Este quadro se deve às negociações duras com o governo. Faltou o mínimo: diálogo entre as partes”, comentou.

De modo geral, os investidores de outros países, que detêm fatia importante das ações em bolsa no Brasil, não possuem a mesma tolerância que os nacionais ante ações do governo na economia. Se eles não se sentem seguros, não hesitam em vender seus papeis. “Seria horrível se o estrangeiro começasse a traçar paralelos entre as medidas do governo Dilma com o que é feito pelos governos da Venezuela e da Argentina, por exemplo. Nossa bolsa ainda não se sustenta com a poupança doméstica. Precisamos deles”, lamentou o estrategista.

Pacotes geram dúvidas – No primeiro semestre, ensaiou-se uma aproximação entre membros do Planalto e da economia real. O diálogo fez-se presente nos diversos encontros que a presidente Dilma e sua equipe tiveram com empresários, consultores, especialistas e associações para discutir os problemas do país – sobretudo as deficiências na logística e infraestrutura nacional. Porém, logo após colher reclamações e sugestões do empresariado, a definição sobre o que estaria por vir ganhava ares de mistério. Passavam-se meses e o governo vinha a público divulgar pacotes – alguns com a bem-vinda política de retorno das privatizações – com muitas intenções, mas sem um detalhamento adequado.

Nos dois principais programas de investimento da presidente Dilma anunciados em 2012, para os setores ferroviário e rodoviário, o saldo até o momento é mais de dúvida que de comemoração. Ainda não se sabe ao certo, por exemplo, qual será o papel da nova estatal criada para gerenciar a logística nacional: a Empresa de Planejamento Logístico (EPL). Os decretos com detalhamento dos pacotes vieram muito tempo depois e o próprio presidente do órgão, Bernardo Figueiredo, teve de desdobrar em entrevistas, ao longo do ano, para tentar explicar a “fábrica de projetos” que tem a missão de tocar.

Por um lado, o bom relacionamento e o carisma de Figueiredo perante o setor de logística deram algum alento aos investidores. Contudo, não foram suficientes para tirar todas as dúvidas – principalmente no que compete às novas regras para ferrovias, para as quais foi anunciada uma nova e complexa legislação em que o governo terá papel central na coordenação das concessões e uso da malha nacional.

Enquanto as medidas não começarem a valer e novas explicações não forem dadas, papeis de empresas como a ALL, que movimentam carga ferroviária, são pressionadas. Na bolsa, as ações da companhia caíram 9,75% (para 8,32 reais) em 2012 e ficarem em 19º lugar entre as maiores perdas.

Já no pacote de portos, anunciado no início de dezembro, a presidente mostrou ter aprendido a lição. Tudo foi devidamente explicado. Dilma repetiu várias vezes a importância da segurança jurídica para atrair investimentos privados. Posteriormente, foi anunciado que o decreto com detalhes sobre o pacote sairia já no dia seguinte no Diário Oficial da União.

Petróleo – A Petrobras, cujas ações estão entre as mais negociadas da Bovespa, também sentiu os efeitos da mão pesada do estado. Como é de praxe, ela foi usada, uma vez mais, como margem de manobra da política monetária do país. A despeito da defasagem de preço em relação ao petróleo e gasolina importados, a União, que é sua a controladora, a impede de reajustar os valores de alguns produtos. Com um parque de refino estagnado e compras externas cada vez maiores, os prejuízos com essa política, que visa ajudar a controlar a inflação, têm sido crescentes.

“O congelamento dos preços dos combustíveis que a empresa vende serviu como um freio à inflação mais acelerada. Mas essa defasagem está prejudicando as margens da companhia e, consequentemente, diminuindo o potencial de suas ações em bolsa”, explicou Bruno Caloni, da Coinvalores.

A queda de 12,99% das ações ordinárias da estatal petrolífera (para 19,60 reais cada) reflete essa política do Palácio do Planalto, bem como a outros fatores como o cenário externo adverso, a revisão para baixo das estimativas de produção de petróleo no país e o próprio fato de seus papeis serem muito “líquidos” – o que significa que servem como “porta de saída” de investidores do mercado de capitais brasileiro.

Bancos – Apesar de não figurarem entre as principais perdas do Ibovespa em 2012, as ações do setor bancário tiverem fraco desempenho em grande parte pela forte pressão da presidente Dilma para que as instituições financeiras baixassem juros, diminuíssem o chamado spread bancário – a diferença entre o custo de captação e a taxa de empréstimo ao cliente final – e aumentassem vigorosamente as concessões de crédito. “Reduzir juros abruptamente não é legal em um momento em que a inadimplência preocupa um pouco. Isso pode mexer com a saúde do sistema financeiro”, comentou Paulo Esteves, da Gradual.

Juros menores representam inegavelmente uma boa notícia para o país, pois implicam maior facilidade para consumir e realizar investimentos – duas molas propulsoras do desenvolvimento. Uma vez mais, o “diabo esteve nos detalhes”. Além da própria queda da taxa básica (Selic) empreendida pelo Banco Central, a diminuição do custo dos empréstimos deu-se pela via da competição bancária. O governo federal não mexeu em pontos importantes do  spread que lhe competem – como a tributação, o compulsório e o excesso de crédito direcionado – e botou os bancos públicos para brigarem com os privados. A maior concorrência fez com que todo o setor tivesse de praticar menores margens de lucro – elemento que é demonizado pelo Planalto, como se não fosse saudável e inerente ao sistema capitalista.

Ao longo de todo o ano foram anunciadas reduções significativas nas tarifas bancárias e juros de empréstimos dos bancos do governo, o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF). Com isso, o lucro do Itaú Unibanco, por exemplo, caiu 7,6% nos nove primeiros meses do ano ante mesmo período de 2011, para 10,1 bilhões de reais, enquanto suas ações preferenciais subiram apenas 1,69% (para 33,39 reais). Já as da holding Itaúsa, controladora do banco, caíram 1,81% (para 9,69 reais).

Telecom – Por fim, ante o crescente número de reclamações de usuários sobre a qualidade dos serviços das operadoras de celular, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fez o seu dever e apertou a fiscalização. Em julho, ela chegou a suspender as vendas de novas linhas das operadoras que lideravam queixas nos estados brasileiros. A TIM foi a mais prejudicada, com proibição em 19 estados, enquanto a Claro e Oi foram suspensas em três e cinco unidades da Federação, respectivamente. A punição durou apenas 15 dias, mas as empresas foram obrigadas a apresentar um amplo plano de melhorias à agência e aumentar seus investimentos, comprimindo as margens de lucro.

A operadora italiana, particularmente, ainda se viu às voltas com graves suspeitas da Anatel sobre sua operação, que se tornaram públicas. Relatório interno do órgão regulador apontou que a empresa derrubava de propósito as ligações de usuários de planos em que a chamada não era tarifada por minuto, havendo a cobrança por um valor único, fixo e reduzido. A companhia, no final do ano, apresentou estudos para contestar essa denúncia. Ela também esteve envolvida em outra polêmica, que foi a proibição pela Anatel de um plano (o Infinity Day) que chegou a lançar comercialmente e teve as vendas impedidas. As ações da TIM caíram 9,51% neste ano, para 8,17 reais.

Ações que deram vexame em 2012

1) A derrapada de Eike e suas empresas ‘X’

Em junho, a OGX – empresa de petróleo da holding EBX, do bilionário Eike Batista – surpreendeu o mercado ao anunciar resultados decepcionantes em testes de vazão no Campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos. As projeções de produção foram revisadas para baixo e as ações da companhia chegaram a cair 44% em penas dois dias (27 e 28 de junho). A petroleira havia concluído que a área tem uma capacidade de vazão de 5 mil barris de óleo equivalente por dia por poço para os dois primeiros poços nesse estágio inicial. Os analistas, até então, projetavam algo em torno de 15 mil a 20 mil barris/dia. A repercussão das novas estimativas fez com que o próprio Eike marcasse uma teleconferência de emergência para acalmar os mercados. Os investidores, até hoje, estão no aguardo de dados mais concretos para refazer suas apostas nas empresas do brasileiro.

Em 2012, a petroleira de Eike perdeu 67,84% de seu valor de mercado, com ações cotadas a 4,36 reais cada. As demais ações de empresas da EBX também foram afetadas. São exemplos os papeis da MMX (mineração) e da LLX (logística), que apresentaram quedas anuais de, respectivamente, 33,10% (para 4,43 reais) e 28,78% (para 2,40 reais). A OGX liderou a lista das companhias cujas ações apresentaram a pior performance do ano no Ibovespa. MMX e LLX estão em 9º e 10º lugares.

2) Fim da linha para algumas elétricas

Foi em 11 de setembro de 2012 que a nova proposta do governo para a regulamentação do setor elétrico (a medida provisória nº 579) foi publicada. O mercado então estremeceu. No dia seguinte, o Índice de Energia Elétrica (IEE) da Bovespa – que reúne os papeis das maiores empresas do ramos – caiu 8,17%. No ano, o IEE acumula baixa de 11,72%, para 28 792 pontos. A reação negativa dos investidores é explicada pelo fato de o Palácio do Planalto propor, quando da renovação antecipada e condicionada de algumas concessões, reajustes de tarifas que implicam perdas de até 70% na receita das empresas; que, aliás, sempre foram vistas como estáveis e boas pagadoras de dividendos. As indenizações oferecidas pela presidente da República também foram consideradas baixas demais.

O texto da MP, que foi aprovado pelo Congresso brasileiro em dezembro, traz a possibilidade de as concessionárias renovarem antecipadamente seus contratos que vencem entre 2015 a 2017 por mais 30 anos, mas com a condição de redução tarifária significativa e recebimento de uma indenização pelos ativos não amortizados. A insegurança jurídica também foi uma das reclamações dos empresários do setor, que foram obrigados a manifestar seu interesse na renovação até 15 de outubro, antes mesmo de conhecer os números definitivos do governo (para tarifas e indenizações). Tais dados foram apresentados somente em 1º de novembro, o que prejudicou ainda mais o desempenho das ações das elétricas.

A estatal Eletrobras foi a que mais sofreu. Suas ações ordinárias (ON, com direito a voto) fecharam o ano com queda de 61,36%, a 6,36 reais. Elas amargaram, assim, o segundo lugar entre as maiores quedas do Ibovespa em 2012. Suas ações preferenciais de classe B (PNB) vieram logo atrás, ocupando o terceiro lugar entre as maiores baixas, com perda de 57,51%, cotadas a 10,44 reais.

Outras companhias do ramo também figuraram entre as 20 maiores quedas do Ibovespa em 2012. Eletropaulo PN, com queda de 47,40% (para 16,71 reais), foi o quarto pior resultado. Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Ceteep) PN, com baixa de 39,71% (a 33,04 reais) ficou com o 6º lugar. A Companhia Energética de São Paulo (Cesp), cujas ações PN classe B recuaram 38,76% (para 19,41 reais), ficou na oitava colocação.

Copel PNB, com desvalorização de 17,20% (a 31,40 reais), respondeu pelo 13º maior declínio do índice. Por fim, Light, com baixa de 15,01% (22,32 reais), e CPFL, com perda de 12,87% (21,31 reais), ficaram com o 15º e 18º lugares, respectivamente, entre os maiores prejuízos do Ibovespa. O conjunto das companhias elétricas listadas em bolsa perdeu 48 bilhões de reais em valor de mercado.

3) Construção civil, quem diria, perde o vigor

Depois de passarem por uma fase pujante em número de empreendimentos, caixa polpudo e preços de imóveis nas alturas, as empresas de construção civil sentiram em 2012 um momento de menor vigor. Com os valores estagnados em patamar elevado, as companhias não conseguem mais vender casas e apartamentos no mesmo ritmo dos últimos anos. Elas estão optaram por reduzir o número de lançamentos.

A ressaca da euforia vivida no segmento habitacional em 2010 e 2011 e a consequente revisão para baixo das projeções de vendas – sem contar os problemas com atrasos nas entrega – implicaram também a necessidade de as companhias do setor se capitalizarem via mercado para aumentar caixa; lembrando que matérias-primas e mão de obra ainda encareceram ao longo do ano. Rossi, PDG e Brookfield, que figuraram entre as maiores perdas do Ibovespa em 2012, tiveram de emitir ações e bônus para financiar projetos e diminuir sua alavancagem. Os lucros dessas três empresas ainda diminuíram: Rossi teve queda de 42% no lucro do terceiro trimestre (18,8 milhões de reais); PDG lucrou 89,5% menos (27,053 milhões de reais) no mesmo período; e a Brookfield viu seu ganho encolher 71% (31,2 milhões de reais).

Ante o novo cenário, investidores e analistas ajustaram suas expectativas. No caso da Rossi, em particular, as perspectivas foram agravadas em setembro quando a empresa aprovou aumento de capital, com emissão de ações valendo menos do que as negociadas naquele momento no mercado. Assim, a ações da construtora ocuparam o posto de sétima pior performance do Ibovespa no ano – 39,62% de queda no acumulado de 2012 e fechamento a 4,55 reais.  A PDG, por sua vez, teve performance final ainda pior e ficou em quinto lugar, com declínio de 41,89%, a 3,31 reais por ação. Já a Brookfield amargou a 11ª colocação entre as piores perdas, com suas ações fechando cotadas a 3,40 reais cada (baixa de 22,94%).

4) Na esteira da economia internacional, siderurgia está em baixa

O cenário internacional para as commodities metálicas não ajudou as empresas de siderurgia no ano. A sobreoferta mundial de aço (a preços baixos), o aumento de custo de mão de obra, a elevação da cotação do minério de ferro e do coque, a consequente compressão das margens de lucro e a dificuldade em repassar despesas maiores aos preços prejudicaram os papéis da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Usiminas. No terceiro trimestre, a CSN teve queda de 85,5% em seu lucro líquido sobre um ano antes, para 159,1 milhões de reais, enquanto a Usiminas registrou prejuízo líquido de 125 milhões de reais no mesmo período.

A alta do dólar (9,4% no ano) acabou minimizando os efeitos negativos do setor, que é tradicionalmente exportador, mas não foi o suficiente. Os papéis da CSN fecharam o ano com baixa de 15,31%, a 11,78 reais (14ª posição no ranking de maiores perdas do Ibovespa), enquanto os da Usiminas perderam 19,96%, a 13,67 reais (12ª posição entre os piores desempenhos).

5) Dasa está em fase de tratamento

As ações da empresa de medicina diagnóstica Dasa foram expostas a um ano de mudanças, com troca de diretoria e da presidência em junho – o que sempre é fonte de desconfiança por parte do investidor sobre a eficiência da nova gestão. Adicionamente, houve a integração da infraestrutura de tecnologia da informação de toda a rede, composta por diversos laboratórios em todo o país. Além de demandar maior volume de investimentos, esse processo é demorado e poderia comprometer levemente o fluxo de caixa da companhia – remunerando, assim, um pouco menos os acionistas.

Os resultados não muito animadores no terceiro trimestre – o lucro caiu 52% sobre o mesmo período de 2011 – e um cenário desafiador – algumas empresas de planos de saúde estão com dificuldades financeiras e podem atrasar ou deixar de pagar exames – têm deixado o investidor ainda mais receoso com o papel. As ações da Dasa caíram 14,7% no ano (para 13,19 reais) e ficaram em 16º lugar entre as maiores perdas do Ibovespa.

6) TIM sai queimada com reclamações

Diante do crescente número de reclamações sobre a qualidade do serviço de telefonia celular, a Anatel decidiu punir algumas empresas do setor. Em 23 de julho, ela suspendeu a venda de novas linhas de operadoras que lideravam as queixas de consumidores nos estados brasileiros. A TIM foi a mais prejudicada, com 19 estados, enquanto Claro e Oi foram impedidas de comercializar chips em três e cinco estados, respectivamente. A punição durou apenas 15 dias, mas as empresas foram obrigadas a apresentar um amplo plano de melhorias à agência e aumentar investimentos.

Para complicar ainda mais a situação, a TIM foi acusada pela própria Anatel em agosto de derrubar propositalmente chamadas nas linhas com a promoção Infinity, em que o consumidor paga apenas por ligações que faz e não por minutos. Assim, as pessoas seriam obrigadas a fazer novas chamadas, gastando mais, e a empresa aumentaria sua receita. A TIM negou a acusação e apresentou documentos para comprovar que não agia desta forma.

Em novembro, o órgão regulador notificou a empresa por outra irregularidade: a promoção Inifnity Day, que consistia em ligações ilimitadas durante um período de 24 horas por preços fixos. Para a agência, a ação feria a livre concorrência. A Justiça Federal do Distrito Federal manteve a decisão da Anateldepois de a TIM ter entrada com mandado de segurança para reverter a suspensão. A operadora pediu, então, prazo maior para suspender a promoção “devido a condições técnicas”.

Diante de todo este noticiário negativo em 2012, as ações da TIM caíram 9,51% no período (8,17 reais) e figuraram no 20º lugar entre as perdas do Ibovespa.

7) Petrobras sofre com as políticas do governo Dilma

congelamento dos preços dos combustíveis pelo governo, como meio de conter a alta da inflação, acabou comprimindo fortemente as margens da estatal de petróleo em 2012. Seu desempenho na bolsa de valores foi automaticamente prejudicado. Analistas também apontam que, em um momento de desconfiança com o peso da mão governamental na economia, ações de empresas públicas acabam sofrendo mais. Há ainda a questão das metas de produção que foram revisadas para baixo quando Graça Foster substitui José Sergio Gabrielli no comando da companhia em fevereiro. Contudo, não está claro se, mesmo assim, a petroleira conseguirá cumprir essas novas metas.

Adicionalmente, por serem papeis muito líquidos (com operações de compra e venda rápidas e em grande volume), as ações da estatal são usadas por investidores que querem sair da bolsa brasileira em momentos de indefinição internacional. Neste ano, a Petrobras perdeu duas vezes o posto de maior companhia em valor de mercado na Bovespa para a fabricante de bebidas Ambev. O fato de uma empresa muito maior e num setor estratégico perder posição para uma fabricante de bens de consumo não deixa de ser sintomático dos problemas por que passa a estatal.

As ações preferencias da Petrobras fecharam o ano cotadas a 19,60 reais, com queda de 12,99% em doze meses e no 17º lugar entre as maiores quedas do índice da bolsa brasileira.

8) ALL fora dos trilhos em 2012

nova legislação para concessões de operação na malha ferroviária brasileira, anunciada em agosto pelo governo, ainda não está totalmente clara nem para os empresários nem para os investidores do setor. As incertezas sobre como acontecerão as mudanças propostas e quais benefícios ou malefícios para as companhias que dependem ou atuem na área (risco regulatório) são os principais fatores que levaram a queda de 9,75% das ações da América Latina Logística (ALL) na BM&F Bovespa em 2012 (8,32 reais). Ela figura no 19º lugar na lista das maiores perdas do Ibovespa.

“Mão” do governo pesou sobre a Bovespa em 2012

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