VEJA.com – Vitória de Obama é garantia de continuidade econômica

07/11/2012

Especialistas ouvidos pelo site de VEJA dão preferência à continuidade representada pelo democrata e enxergam em suas propostas maior consistênciaNaiara Bertão e Ana Clara Costa

reeleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, representa também uma vitória para os mercados. Especialistas ouvidos pelo site de VEJA preferem a continuidade representada pelo democrata em detrimento das promessas de crescimento a curto prazo aventadas pelo candidato republicano Mitt Romney. Na avaliação dos analistas, Obama possui uma visão mais consistente dos problemas estruturais do país, como a perda de competividade e, principalmente, o chamado abismo fiscal (elevado déficit público) – que, segundo fontes da Casa Branca, terá encaminhamento urgente nos próximos dias.

Infografia: Veja quadro comparativo das propostas de ambos os candidatos

Apesar do risco de que as dificuldades em propiciar uma forte retomada do crescimento econômico lhe tirassem a vitória, Obama parece ter convencido os eleitores de que é uma opção menos arriscada. Nos últimos anos, ele tomou medidas importantes para melhorar a economia, que, ao menos, ajudaram a tirar o país de uma profunda recessão. O mercado não só louva essa sensação de segurança, como aponta outros méritos. Para os analistas, é preferível a proposta do democrata de tentar resolver os graves problemas estruturais do país, ainda que num ambiente de menor expansão do PIB, que as soluções apontadas por Romney de buscar o crescimento custe o que custar, relegando às reformas um papel mais secundário.

Por fim, os especialistas também elogiam uma das principais marcas da gestão Obama e que deve ganhar continuidade: o aperto na regulação financeira. A despeito das reclamações de investidores de que a Casa Branca estaria interferindo em demasia numa seara que costuma funcionar melhor sem amarras, o próprio mercado hoje compreende que um acompanhamento dos reguladores representa uma medida importante. Afinal, foram os excessos cometidos por bancos e fundos de investimento, durante a administração de George W. Bush, entre 2000 e 2008, que arrastaram os EUA para sua pior crise financeira em 80 anos.

Bolsas – Nesta quarta-feira, as bolsas da Ásia fecharam com forte valorização ante o otimismo provocado pela vitória de Barack Obama. As europeias abriram em alta, mas não resistiram aopróprio noticiário negativo da região. Nos Estados Unidos, as bolsas operavam no campo positivo na abertura, mas logo inverteram o sentido. Às 15h40 (horário de Brasília), os três principais índices acionários dos Estados Unidos operavam em queda superior a 2%. O índice Dow Jones caía 2,23%, enquanto o Nasdaq e o S%P 500 recuavam 2,40% e 2,20%, respectivamente.

Apesar de a maior parte dos economistas americanos celebrar a continuidade de Barack Obama no poder, a ressaca das eleições fica com o sabor amargo do déficit público. As bolsas operavam próximas da estabilidade enquanto os investidores aguardavam o resultado das eleições. Porém, uma vez que houve um eleito, os temores mudam de foco. O interesse dos investidores agora é saber como o governo Obama fará para reduzir o déficit sem levar o país de volta para a recessão. “Não é tão simples dizer que as ações caem porque Romney perdeu. Agora, os EUA precisam voltar ao trabalho, pois as coisas estão enroladas em relação ao abismo fiscal e impostos”, afirmou o estrategista da BMO Capital, Brian Belski, ao jornal Wall Street Journal.

Tema em foco: Eleições nos EUA 2012

O presidente reeleito repetiu ao longo da companha que seu antecessor, George W. Bush, foi o culpado pela crise econômica que devastou os Estados Unidos em 2008 e 2009. Segundo Obama, o afrouxamento da regulação do mercado de capitais foi o principal ingrediente que permitiu o surgimento da crise imobiliária. Na avaliação de Robert Wood, da Economist Intelligence Unit (EIU), a vitória do democrata corresponde a um fortalecimento institucional. “Se o Romney ganhasse e os republicanos controlassem o Senado, a regulação, especialmente ambiental e financeira, andaria para trás”, afirmou.

Para o professor Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, a vitória de Obama mostra-se positiva para a economia mesmo que envolva o aumento de impostos para os mais ricos. “Obama é mais consciente dos problemas, embora a população ainda não esteja completamente disposta a aceitar cortes de gastos e aumento de impostos”, falou.

Na avaliação dele, com o envelhecimento da população, é possível que o corte de gastos mostre-se, com o passar do tempo, cada vez mais difícil. Por isso, segundo ele, o aumento de impostos acabará por ser uma das únicas alternativas para o governo americano aumentar a arrecadação no curto e médio prazo. Atualmente, o cidadão americano paga, em média, 25% de imposto contra 36% do Brasil.

Ressaca – Rafael Santos, economista do Banco Central do Brasil (BC), acredita que o discurso de Obama e o que ele tem feito até agora mostram que sua política é mais sustentável no longo prazo que a proposta por Romney. O ponto fundamental é que o democrata parece se preocupar mais em fazer uma reforma fiscal e reduzir sua gigantesca dívida para, só depois, a economia ter bases consistentes para crescer. Já seu opositor quer dar um impulso econômico no curto prazo, custe o que custar, que pode significar uma “ressaca” ou até outra onda de crise.

Congresso – Contudo, nem Obama nem Romney têm o apoio necessário do Congresso para aprovar inteira e rapidamente suas propostas. Zeina Latif, consultora de economia internacional independente, acredita que ambos os candidatos devem aprovar medidas mais pragmáticas, especialmente, no campo fiscal. “Na prática, não acredito em grandes divergências. A piora das contas públicas e o quadro de baixo crescimento vão exigir pragmatismo. Há limites consideráveis tanto para aumento de gastos quanto para cortes. Além disso, ambos irão enfrentar a trava do Congresso, com um Senado democrata e uma Câmara republicana. Isso significa grande resistência a reformas”, explica.

Vitória de Obama é garantia de continuidade econômica

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