VEJA.com – Renova fecha acordo de € 1 bi com Alstom e faz aposta alta em eólicas

07/02/2013

Mesmo sem linhas de transmissão suficientes para fazer com que a energia saia dos parques eólicos, empresa fecha contrato incomum no setor: a compra de maquinário antes mesmo que haja demandaNaiara Bertão

Mensalmente, o diretor-presidente da Renova Energia, Carlos Mathias Becker Neto, viaja de São Paulo à Bahia para verificar pessoalmente o andamento da construção das linhas de transmissão Igaporã II e Igaporã III, no Sudoeste do estado. A conclusão das obras está atrasada e as linhas só devem ficar prontas no fim deste ano (no caso da primeira) e do ano que vem (no caso da segunda).

Nos encontros com o presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), João Bosco, Becker se coloca à disposição para ajudar no que for necessário para acelerar o processo – que está atrasado devido à demora na obtenção de licenças ambientais e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O esforço em acompanhar as obras de perto tem um motivo maior: a Renova cumpriu o contrato de entrega de 184 aerogeradores do Complexo Alto Sertão I em julho de 2012, mas os parques não conseguem se conectar ao sistema nacional de energia elétrica porque as linhas de transmissão ainda não estão prontas. Além disso, até meados do ano que vem, outros parques eólicos da Renova ficarão prontos na região – o Complexo Alto Sertão II, com 230 aerogeradores – e demandarão tais linhas.

O interesse de Becker, porém, não se limita aos dois complexos. O empresário está de olho também na expansão dos negócios de energia eólica da empresa, que hoje representam mais de 96% de todo o portifólio de geração da companhia. Essa porcentagem deve aumentar ainda mais com o anúncio feito nesta quarta-feira. A empresa firmou com a Alstom uma parceria de mais de 1 bilhão de euros para a produção de 440 aerogeradores, que juntos possuem a capacidade mínima instalada de 1,2 gigawatts (GW). Desse total de energia, apenas 544 megawatts (MW) já foram vendidos no mercado regulado (energia que chega na residência das pessoas) e no mercado livre, onde cada contrato é customizado conforme a necessidade dos clientes, que são, em sua maioria, grandes empresas.

A notícia não só surpreende pelo volume do investimento (o maior anunciado pela Renova até hoje), que dimensiona o tamanho da aposta da empresa no setor eólico brasileiro, como também é uma prática incomum no mercado de energia – geralmente as empresas só contratam maquinários para atender a demanda já vendida. “Apostamos no potencial de crescimento da demanda por energia eólica no Brasil, uma vez que as usinas hidrelétricas esbarram nas licenças ambientais e dependem do potencial hídrico e as térmicas ainda são muito caras”, comenta Becker, que estima uma possível contratação entre 7 e 9 GW de energia eólica até 2017, para ser entregue até 2020.

O Brasil ainda caminha a passos lentos no setor eólico: a previsão é de que as instalações totais para o período 2012-2016 devam chegar a 255 GW, sendo que a marca de 1 GW (1000 MW) foi alcançada apenas em junho de 2011. Em 2004,o governo federal lançou o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), para estimular, entre outras fontes, a energia eólica. Contudo, o primeiro leilão só foi realizado em 2009 e os parques ficaram prontos há pouco tempo – mas ainda sofrem problemas com a falta de transmissão. Como base de comparação, o mercado americano de energia eólica teve, em 2012, o seu melhor ano, atingindo uma capacidade de geração recorde de 13,124 gigawatts, de acordo com dados da Associação Americana de Energia Eólica (AWEA, na sigla em inglês).

Para conquistar mais espaço e ganhar competitividade, a Renova fechou com a Alstom a compra de pelo menos – Becker é enfático ao dizer que essa parceria pode aumentar dependendo de seu sucesso – 440 novos aerogeradores que serão feitos especialmente para os ventos de Caetité nos próximos dois anos. “Dobraremos os turnos da nossa fábrica em Camaçari, na Bahia, para atender essa demanda da Renova”, explica o presidente mundial de Energias Renováveis da Alstom, Jérôme Pécresse. A fábrica contratará mais 50 funcionários para a produção saltar de 300 MW de potência instalada para 600 MW por ano. “A previsibilidade e volume do negócio nos permite concentrar esforços nessa produção”, acrescenta Pécresse.

A cidade baiana de Caetité, em que a empresa já tem parques eólicos a serem atendidos pela transmissão da Chesf, é considerada a “mina de ouro” da Renova por ter o maior potencial eólico do país e será a primeira a receber os novos maquinários. Mas, a empresa de energia já deixou claro que ela não será a única: “começaremos na Bahia, mas estamos olhando áreas no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe e Minas Gerais”, disse Becker.
O acordo com a Alstom contempla também a prestação de serviços de operação e manutenção, mas não impede que, para outros projetos, a Renova contrate outros fornecedores ou que a Alstom venda para outras companhias de energia os maquinários.

Hoje, a Renova tem contratado aproximadamente 1,240 GW de energia, sendo que apenas 43 MW vêm de hidrelétricas e o restante de eólicas. Considerando que 544 MW dos 1,2 GW provenientes do negócio anunciado nesta quarta-feira já estavam contratados, outros 656 MW de potência instalada devem se juntar aos 1,240 GW nos próximos anos. A empresa entrou neste mercado em 2009 e cresce, desde então, a um compasso de 250 a 300 MW por ano, de acordo com o diretor financeiro, Pedro Pileggi. “Devemos manter esse mesmo ritmo nos próximos anos ou até acelerar”, afirmou o executivo ao site de VEJA.

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