VEJA.com – “Na montanha-russa do dólar, saiba se é a melhor hora para comprar”

06/10/2014

O site de VEJA ouviu especialistas em câmbio e a indicação é unânime: para viagens de fim de ano, aproveite a queda para começar a comprar moeda estrangeira — mas aos poucos

Marilia Carrera e Naiara Bertão

No primeiro pregão após o primeiro turno das eleições, o dólar despencou e trouxe dúvidas para milhares de brasileiros que planejam viajar ao exterior no fim do ano: é hora de comprar moeda para aproveitar a baixa ou esperar porque pode cair mais? O site de VEJA ouviu especialistas de câmbio e a estratégia sugerida é fazer uma compra fatiada de ao longo dos próximos meses para poder equilibrar a cotação final média. “Como viagens têm datas marcadas, é difícil acertar o timing perfeito”, diz o economista Richard Rytenband, especialista em investimentos. Ele acredita que qualquer oscilação no cenário eleitoral tenha potencial de mexer muito com as moedas — e que a única proteção possível é comprar aos poucos.

Segundo o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, a queda do dólar comercial observada nesta segunda-feira é resultado de dois fatores: movimento internacional de desvalorização da moeda, ainda que em menor ritmo; e o resultado das eleições, que colocou o candidato tucano Aécio Neves no páreo com a presidente Dilma Rousseff (PT) no segundo turno. “Aécio está em um bom momento e surpreendeu no final do primeiro turno com índice de votação acima do que as pesquisas sugerindo”, disse Rostagno. Por ter uma postura pró-mercado e propostas mais liberais que contrariam o intervencionismo petista, Aécio é o favorito no mercado financeiro. A bolsa de valores também disparou nesta segunda-feira, refletindo o resultado do pleito deste domingo, que mostrou Aécio muito mais próximo de Dilma do que as pesquisas indicavam.

Planejamento – Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso, explicou que o ideal é planejar as compras a partir de agora. “Divida o montante que precisa em lotes de 500 a 1.000 dólares/euros/libras. Programe-se para comprar um pouco a cada mês antes da viagem”, disse. Ele lembra, contudo, que dezembro é um mês em que sempre há muita demanda por moedas estrangeiras, o que eleva seu valor naturalmente. Assim, a recomendação é antecipar-se e não deixar para comprar no fim do ano.

Para quem vai viajar e ainda não comprou moedas, não terá muita escolha a não ser pagar o atual preço. Nesse caso, a dica é procurar uma casa de câmbio ou banco que cobre um spread(diferença entre o preço da compra e da venda da moeda) menor.

Quem tem viagem marcada para logo, pode aproveitar a valorização do real nos últimos dois dias para comprar, pelo menos, parte do montante total para a viagem. Segundo os analistas, a expectativa é de subida rápida, devido à alta volatilidade e ao caráter especulativo do mercado de câmbio no período. Rostagno lembra que o dólar chegou a operar acima de 2,50 reais na sexta-feira. “A trajetória do dólar vai depender da corrida presidencial, que exerce forte influência no mercado de câmbio”, diz. Como as eleições se mostram bastante acirradas, o cenário para o câmbio permanece incerto.

Se a alta do dólar persistir, Galhardo, da Treviso, diz que há outra opção para os que não quiserem fazer a compra fatiada. Contudo, trata-se de uma estratégia arriscada: optar por pagar tudo no cartão de crédito, esperando que, após as eleições, o cenário acalme.

Investimentos – Em um momento tão volátil como o atual, o economista Richard Rytenband não recomenda um investidor comum, que não costuma operar no mercado de curto prazo, que invista em moedas estrangeiras. “Não recomendo que quem vá viajar procure ‘operar’ a moeda, ainda mais neste período de elevada volatilidade (fortes oscilações, para cima e para baixo). Quem vai viajar deve ir comprando aos poucos mesmo, fazer uma média de cotação, por que operar moeda agora só para profissionais”, comenta.

Para economistas ouvidos pelo Banco Central para o relatório Focus, a tendência é de alta da moeda no restante do ano e em 2015. Eles traçam suas estimativas com base em projeções do impacto que o aumento de juros nos Estados Unidos poderá ter em economias emergentes. Possivelmente haverá uma saída de dólares porque os investimentos no mercado americano ficarão mais atrativos com a alta dos juros. O Federal Reserve (Fed), banco central americano, está acompanhando todos os indicadores econômicos do país de perto para poder definir qual será o melhor momento para elevação – possivelmente no início do ano que vem.

Na montanha-russa do dólar, saiba se é a melhor hora para comprar

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