VEJA.com – “Dólar alto não ajuda exportações se não houver competitividade, diz ex-embaixador”

Para Rubens Ricupero, queda da moeda brasileira não deve impactar balança se país não tiver preços competitivos para brigar contra concorrentesNaiara Bertão

O resultado da balança comercial divulgado nesta quarta-feira mostra que o Brasil, apesar de ter acumulado saldo positivo em março, acumula um déficit de 5,55 bilhões de dólares no acumulado do ano. Mesmo com o real desvalorizado, as vendas ao exterior não atingem patamares suficientes para que haja uma reversão no quadro. Segundo o ex-ministro da Fazenda e ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Ricupero, a desvalorização da moeda brasileira não deve ser o principal motor de retomada das exportações.

Em conversa com jornalistas na terça-feira, o ex-embaixador afirmou que as condições atuais são menos favoráveis para as exportações do que as verificadas em 2003, quando o Brasil também viu o dólar disparar. Naquela época, o crescimento chinês, na casa dos 10%, garantia demanda para os produtos exportados, em especial minério de ferro e soja. Segundo Ricupero, o cenário mudou não só devido à desaceleração da China, mas também devido à retomada da economia americana.

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Brasil perde espaço em comércio exterior

Ricupero explica que os Estados Unidos competem com o Brasil em produtos agrícolas e, em outros produtos, o país não é competitivo. “Os Estados Unidos já têm tarifas baixas para importação de vários produtos, mas nestes, o Brasil consegue competir. Além de não investirmos em produtividade, ainda temos o custo Brasil que pesa sobre nosso preço”, afirma, depois de dizer que não serão os acordos bilaterais que resolverão o problema de competitividade do Brasil. “A produtividade é o diferencial. A solução tem de ser interna”, completa.

Uma das soluções para o país seria intensificar a assinatura de acordos comerciais. Contudo, essa pauta terá pouca eficácia se não houver, por outro lado, estímulo à competitividade. Ricupero cita o exemplo do Chile, que firmou 30 acordos de livre comércio com o objetivo de diversificar sua pauta exportadora, mas não conseguiu desenvolver a indústria e continua vendendo essencialmente cobre, produtos florestais, frutas, vinhos e peixes.

“Um acordo amplo é difícil, mas, pragmaticamente, dá para fazer acordos para quebrar certas barreiras comerciais”, acredita. Ele cita como exemplo a exportação de manga para os EUA, que hoje não é permitida porque o Brasil usa um defensivo agrícola proibido lá. O mesmo acontece com a carne bovina brasileira, que não entra nos EUA por causa de uma barreira sanitária (risco de febre aftosa).

É difícil, em sua opinião, dizer o que vai acontecer daqui para frente, mas, com a desaceleração da China, importante importadora brasileira, chegou a hora de o país aproveitar o câmbio para fazer os investimentos em produtividades necessários de uma vez por todas.

Entre os fatores internos nocivos, ele cita a baixa qualidade das estradas, a deficitária malha ferroviária, o baixo uso dos rios, a demora nos portos, o alto custo da mão de obra e a pesada carga tributária.

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