Jornalistas: os entusiastas do mundo

Sneakers on a Pier3Há anos ouço que o jornalismo está morrendo. No primeiro ano de faculdade somos encorajados a abandonar a profissão se não quisermos “trabalhar muito e ganhar pouco”. Vários desviam do rumo ao longo do caminho, buscam novas maneiras de realização profissional. Empreendem – por necessidade ou por prazer… Estudam Direito, Economia, Ciências Sociais e Letras… Mudam de profissão, de cidade, de negócio, de empresa e de vida. Viajam, estudam fora, dormem em sofás, surfam, correm, choram e pulam de felicidade e excitação. Um dia escutam estórias trágicas que os fazem perder a fé na Humanidade. No outro, escutam estórias inspiradoras que os fazem retomar sua fé na Humanidade. Tudo os impressionam. Tudo lhes é muito próximo. Falam com presidentes de empresas, de países, de suas próprias vidas e  percebem que ninguém é maior que ninguém. São um pouco rebeldes, um pouco disciplinados, um pouco perdidos, mas, quando focam, são excepcionais. Têm um poder transformador que muitos almejam, mas poucos sabem usar para o bem. Trabalham em ONGs, em multinacionais, em projetos humanitários, ficam desempregados, fazem ‘freelas’ de reportagem, de assessoria de imprensa, de comunicação corporativa, de fotografia, de vídeo. Escrevem livros, polemizam ideias, trazem discussões, acabam com discussões, argumentam, brigam, criam páginas em mídias sociais, compartilham trabalhos alheios com entusiasmo, estudam…

Eu trabalho desde o segundo ano de faculdade (2007 para ser exata) e de lá para cá conheci pessoas excepcionais, fiz uma rede de contatos impressionantemente diversificada, li muito, quis desistir da profissão várias vezes, trabalhei em muitos lugares e em empresas com diferentes perfis.

Nessa semana encerrei mais um ciclo dos muitos que comecei nesses 27 anos de mentirinha (se considerar que eu nasci dia 29 de fevereiro, só tenho 6,75 anos, tá? :p). A VEJA foi uma escola onde eu aprendi não apenas como fazer um bom jornalismo, mas também onde eu tive bases para crescer pessoalmente. Todos os lugares pelos quais passei foram assim. Sem exceções. Acredito fielmente que somos hoje o resultado de todas as nossas experiências e escolhas de vida. Um ciclo precisa terminar para outro começar. “Deus escreve certo por linhas tortas”, diria minha consciência.

Mas, nesse balanço dos quase 8 anos de profissão, percebo que a melhor descrição é que jornalistas são entusiastas do mundo. Eles querem saber tudo e sentem uma incômoda vontade de falar para todos o que estão vendo, o que aprenderam, o que enxergam adiante. Para fazer isso, adquirem habilidades únicas: percepção aguçada, feeling de urgência, comunicação ágil e direta, senso de justiça, capacidade de organizar pensamentos, networking invejável, curiosidade, faro do que é relevante, rápida adaptação a mudanças e uma vontade inquietante de transformar e fazer as coisas acontecerem. Temos tudo para brilhar em qualquer área que escolhermos. Podemos priorizar a satisfação pessoal, o dinheiro ou o equilíbrio entre eles. Podemos trabalhar com reportagem, assessoria, comunicação interna, comunicação corporativa, em ONGs, na ONU ou em qualquer outro lugar. Duvido que o jornalismo vá morrer porque ele é feito da soma de todos esses profissionais que respiram a informação, não importando de qual tipo ou assunto. Aonde tiver informação, lá estarão os conectores de conhecimento. É importante entendermos que somos nossas próprias marcas e temos controle de nossas próprias vidas. O jornalista está sempre vivo dentro de nós e nossas habilidades nunca nos abandonarão só porque deixamos para trás um crachá. Seremos sempre entusiastas do mundo. Não importa aonde trabalhemos, mas uma coisa é certa: somos fadados a sempre brilhar. #tamojunto #vamosbrilhar #journalismisalive

Varal

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