Orgulhinho da minha coluna Em $uma desta semana

O Finanças Femininas me deu uma super oportunidade de escrever semanalmente sobre economia para eles na coluna Em $uma. Além de um grande aprendizado para mim, eu ainda posso falar diretamente com leitores sobre percepções pessoais e ajudar na educação econômica deste país. Nesta semana, o meu texto “O dia em que eu entrei para as estatísticas” foi chamado na home do UOL, o que me encheu de orgulho!!!

Compartilho com vocês o texto desta semana ❤

Minha coluna no UOL

O dia em que entrei para as estatísticas

Bom dia, meninas! Na coluna Em $uma de hoje, a jornalista Naiara Bertão fala um pouco sobre o momento que viveu na última empresa em que trabalhou e compartilha um pouco do receio vivido por muitos brasileiros.

Olá, pessoal. Tudo bem?

Viver em uma grande cidade como São Paulo não é fácil, mas ainda sem salário… Recentemente eu senti na pele o que muitos brasileiros também estão passando: o medo do desemprego. Fui desligada da empresa onde trabalhava e entrei nas estatísticas que ainda não foram contabilizadas, mas já evidenciam que o país enfrenta um momento difícil. O Fundo Monetário Internacional (FMI) andou falando que o Brasil pode ter em 2015 a pior desaceleração da economia em mais de duas décadas.

Estatísticas – Já são mais de 1,5 milhão de pessoas desocupadas – a taxa de desemprego medida pela PME subiu para 6,2% em março, dado divulgado na semana passada. O número de abril só sairá no mês que vem, mas, até lá, eu e muitos outros brasileiros teremos de nos ‘virar nos 30′ para conseguir um novo trabalho – ou montar um negócio próprio para sobrevivência, que corre o risco de não durar um ano.

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O problema não é ficar sem o emprego em si, mas enfrentar as assustadoras contas para se viver em uma cidade esmagadoramente cara. E isso, infelizmente, não é mérito apenas de São Paulo. Uma pesquisa da Fecomercio-SP, divulgada na semana passada, mostrou que o Custo de Vida por Classe Social (CVCS) subiu 1,55% em março, a maior aceleração mensal da série histórica. O problema é que em apenas três meses, a alta já soma 4,07%.  Em março, o grupo Habitação subiu 5,41% e foi responsável por praticamente 60% do aumento geral do índice.

Cama, mesa e banho – Os consultores financeiros são enfáticos em dizer que nós não devemos gastar mais do que 50% de nosso salário (líquido, tá, pessoal?) com moradia. E se nem o salário (líquido ou bruto) você tem mais? Também na semana passada, a FGV divulgou alta de 1,17% do IGP-M em abril -3,55% no acumulado de 12 meses. O IGP-M é muito usado para reajustar contratos, como o de aluguel de imóveis.

Se alugar está mais caro, aproveitar o resgate do FGTS para financiar a casa própria seria uma opção, não é? Infelizmente, até isso está mais difícil este ano. Apesar de a desaceleração da economia ajudar as pessoas a negociar melhor os preços de imóveis, a Caixa Econômica Federal já deu duas más notícias em abril: 1) elevação de juros pela segunda vez no ano e 2) que vai reduzir a cota de recursos a serem emprestados para quem quer imóveis usados. Por quê? Porque o dinheiro está escasso, a poupança está cada vez menor e o banco não recebe mais tanto dinheiro do Tesouro.

E se conseguirmos nos virar e comprar ou alugar uma coisa, não podemos esquecer de reservar uma ‘graninha’ para a conta de luz, que fica mais cara este ano. Um levantamento da consultoria PSR divulgada pelo jornal Valor Econômico mostra que, se todos os custos que as distribuidoras ainda precisam arcar (R$ 64 bilhões) fossem incorporados de uma só vez na tarifa, as contas precisariam ser reajustadas em mais 33%. Isso por si só já seria um furo no bolso, mas vale lembrar que não estamos livres também do problema de água, lembrando que o período de chuvas está no fim do fim. É claro que tem ainda os gastos com alimentação dentro e fora de casa e com escola, transporte, celular, carro, entre tantos outros.

Como se nossa renda (se você ainda a tiver) não estivesse já bem comprometida, na semana passada o Senado aprovou o aumento do limite de empréstimo consignado de 30% para 40% da remuneração. Ou seja, está querendo estimular o consumo em um momento que milhões de brasileiros não conseguem nem se livrar das dívidas que já carregam nas costas. O texto ainda precisa passar pela canetada da presidente Dilma Rousseff. Vale lembrar, por fim, que o Banco Central acabou de elevar (de novo) a taxa básica de juros (Selic) para 13,25% ao ano.

Diante disso tudo, deixo aqui um alerta, não meu, mas do romancista Victor Hugo: A prudência é a filha mais velha da sabedoria”.

Naiara Bertão é jornalista formada pela ECA-USP, especializou-se em economia, negócios e finanças. Trabalhou em diversos veículos  de comunicação do país, como Infomoney, Brasil Econômico e VEJA. Escreve sobre os principais acontecimentos econômicos da semana.

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