[Brasil Post] Brasil perdeu o Grau de Investimento. E agora?

Brasil post

Extra extra!!! Brasil é junk (lixo, em inglês) para a agência Standand & Poor’s!!

Ontem, de fato, as previsões mais pessimistas se confirmaram: a Standard & Poor’s (S&P), uma das três agências de avaliação de risco mais importantes do mundo,rebaixou a nota de crédito (rating) do Brasil.

Com isso, ela tirou o País do seleto grupo de países que têm o Grau de Investimento. Muitos já esperavam, mas a notícia veio muito mais cedo do que estimado e em forma de bomba atômica.

Traduz para o português?

O que mais vamos ouvir falar no noticiário esse restinho de semana será disso, então é bom entender o que isso quer dizer.

A lógica é simples: imagine que você está cursando uma disciplina chamadaFinanças Públicas, que você precisa aprender a gerenciar as finanças de um país.

Assim como todos nós, cuidar das contas significa gastar menos do que ganhamos ou fazer de tudo para nos manter o menos endividado possível.

É fazer a boa gestão do dinheiro. Se é difícil para nós, reles mortais, imagina para um país cujas despesas estão na casa de trilhões de reais. Difícil, mas não impossível.

Assim como nós nos valemos de bancos, consultores, notícias, beliscões e muita força de vontade para não estourar o limite do cartão todo mês, o governo dispõe de uma grande equipe econômica para fazer isso e tem meta para atingir: o superávit primário.

Sua professora de Finanças Públicas vai avaliar não apenas o que você escreveu na prova (o que está na contabilidade pública), mas também o seu esforço para controlar os gastos e o quanto você está enroscado nos próximos meses.

Avaliando isso, ela pode te dar um voto de confiança e te dar uma nota acima da média ou reprová-la (rebaixá-la), dando uma segunda chance para passar de ano (prova de recuperação).

Com o Brasil é a mesma coisa. As agências ficam avaliando o ano inteiro como o governo está gerindo as contas públicas… Avaliam não apenas a contabilidade divulgada mês a mês (superávit rimário), mas também o esforço para equilibrar o orçamento e quais as perspectivas para o restante do ano.

Até agora, o Brasil estava raspando na média. As agências (S&P, Moody’s e Fitch) davam alertas para o País se ajustar rapidamente a um novo cenário de vacas magras (corte de gastos e aumento de receitas via arrecadação).

Com a economia andando para trás, a China, nosso principal parceiro comercial, também consumindo menos, e a forte oposição política que dificultou a vida do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, até agora, o Brasil não conseguiu tirar nem menos a média na prova.

E as agências de classificação de risco foram professoras muito pacientes, esperaram bastante. Agora uma delas cansou de dar voto de confiança e quis mostrar que o Brasil precisa melhorar muito para estar na lista de Grau de Investimento.

Foi lá e tirou o selo de qualidade do País.

E o que vai acontecer?

Sem o grau de investimento, duas coisas vão acontecer.

A primeira é que os fundos de pensão e investidores internacionais grandes devem sair em debandada do Brasil.

Isso porque, em seus contratos, constam cláusulas que exigem investimentos APENAS em países que têm Investment Grade (Grau de Investimento), um selo de que o país está com as finanças em dia, economia sob controle e tem um baixo risco de dar calote em quem emprestou dinheiro a ele.

Agora, com o Brasil sendo considerado junk, esses fundos, que costumam deixar o dinheiro investido por anos (investimento de longo prazo, saudável), vão ser obrigados a deixar o Brasil.

A segunda coisa que vai acontecer é o encarecimento do crédito. Na prática, se o país é considerado mais arriscado pelo mercado, aqueles que se dispuserem a emprestar dinheiro a ele vão querer juros maiores (risco maior, prêmio maior).

As financeiras que emprestam para pessoas com o nome sujo fazem a mesma coisa: cobram mais pelo risco maior de calote.

Como o Brasil precisa de dinheiro para sustentar seus gastos maiores do que as receitas (o cerne de todo o problema fiscal), ele vai precisar de dinheiro para fechar as contas.

Ele até poderia pegar dinheiro internamente, mais barato, mas a poupança interna é muito baixa. Em agosto, por exemplo, a caderneta de poupança registrou saída líquida de R$ 7,5 bilhões – o pior resultado para o mês desde 1995, quando o Banco Central iniciou a pesquisa.

A inflação acelerada e os juros altos têm comprometido muito a renda das pessoas, como mostram pesquisa do aplicativo de controle financeiro GuiaBolso, que tem mais de um milhão de usuários na base. O Índice de Saúde Financeira do brasileiro caiu 10% de janeiro a julho deste ano.

E no que isso vai me afetar?

Já está afetando, só você que não vê (ainda)! Quem está pensando em viajar para fora do País congela o pensamento! O dólar deve bater R$ 4 facilmente, de acordo com economistas, e variar bastante (volátil) nas próximas semanas. Isso é reflexo das duas consequências citadas: saída de investimento (dólar) e encarecimento da dívida, que faz o País buscar recursos lá fora.

Mesmo se você não vai viajar, não respire aliviado. O dólar é como petróleo: está em tudo. As empresas e indústrias geralmente precisam de algum produto, matéria-prima, maquinário ou mão de obra importada e devem pagar mais por isso.

É claro que esse aumento de custos vai ser repassado ao consumidor final e elevará ainda mais a inflação. Se a inflação subir, o Banco Central pode retomar a alta de juros (política monetária) e prejudicar ainda mais a situação econômica das pessoas.

Além disso, para o governo voltar a ser merecedor do Grau de Investimento, ele precisa melhorar sua situação fiscal. Ou seja: cortar gastos e aumentar receitas.

A equipe econômica da presidente Dilma Rousseff já fez uma série de ajustes para diminuir gastos, mas questões políticas e travas orçamentárias estão dificultando um corte maior. Assim, resta aumentar receitas.

Como a economia vai mal, a arrecadação está em queda. A solução, então, é aumentar impostos, como o Imposto de Renda, que o ministro da Fazenda já cogitou subir as alíquotas.

É, pessoal, a situação não é boa. Assim como metade da população brasileira, o governo também não olhou com cuidado suas finanças e está dando um péssimo exemplo à população.

Resta acompanharmos os próximos passos e torcer para que a inflação não suba muito além dos 10% que já beira hoje. Haja esforço para arrumar a bagunça!

Leia matéria completa em Brasil Post. Publicada em 10 de setembro de 2015.

Naiara Bertão – Coordenadora de Comunicação do GuiaBolso. Jornalista, escreve sobre Economia, Empreendedorismo, Negócios e Finanças.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: