[Nai’ndica] Zygmunt Bauman: “As redes sociais são uma armadilha”

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Aos 90 anos de idade, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é, para mim, um dos maiores entendedores da sociedade hoje. Suas explicações sobre a modernidade líquida são incontestáveis. Diz que as relações e relacionamentos estão cada vez mais impacientes e sem costura firme, que afrouxam e cessam a cada palavra dita (ou não dia), exacerbando o egocentrismo humano. “Nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso.” 

Detesta dar respostas simples a questões complexas. Apesar de seu pessimismo, é, a meu ver, um dos poucos que conseguem traduzir tão bem em palavras o mundo como ele é – individualista.

Nesta entrevista ao jornal El Pais, ele conta um pouco sobre sua visão sobre as coisas, como o que vê sobre as redes sociais

“Muita gente as usa [redes sociais] não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.”

E aproveita para discorrer sobre seu nome ensaio, o livro Estado de crise, um diálogo com o sociólogo italiano Carlo Bordoni, e publicado pela editora Zahar (pré-venda no Brasil).

Pergunta. Você vê a desigualdade como uma “metástase”. A democracia está em perigo?

Resposta. O que está acontecendo agora, o que podemos chamar de crise da democracia, é o colapso da confiança. A crença de que os líderes não só são corruptos ou estúpidos, mas também incapazes. Para atuar, é necessário poder: ser capaz de fazer coisas; e política: a habilidade de decidir quais são as coisas que têm ser feitas. A questão é que esse casamento entre poder e política nas mãos do Estado-nação acabou. O poder se globalizou, mas as políticas são tão locais quanto antes. A política tem as mãos cortadas. As pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre suas promessas. É o que está evidenciando, por exemplo, a crise de migração. O fenômeno é global, mas atuamos em termos paroquianos. As instituições democráticas não foram estruturadas para conduzir situações de interdependência. A crise contemporânea da democracia é uma crise das instituições democráticas.

P. Você afirma que a ideia de progresso é um mito. Por que, no passado, as pessoas acreditavam em um futuro melhor e agora não?

R. Estamos em um estado de interregno, entre uma etapa em que tínhamos certezas e outra em que a velha forma de atuar já não funciona. Não sabemos o que vai a substituir isso. As certezas foram abolidas. Não sou capaz de profetizar. Estamos experimentando novas formas de fazer coisas. A Espanha foi um exemplo com aquela famosa iniciativa de maio (o 15-M), em que essa gente tomou as praças, discutindo, tratando de substituir os procedimentos parlamentares por algum tipo de democracia direta. Isso provou ter vida curta. As políticas de austeridade vão continuar, não podiam pará-las, mas podem ser relativamente efetivos em introduzir novas formas de fazer as coisas.

LEIA A ENTREVISTA COMPLETA: Zygmunt Bauman: “As redes sociais são uma armadilha”

Se quiserem saber mais, tem um vídeo do Observatório da Imprensa, com uma entrevista o sociólogo Zygmunt Bauman:

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