Meu Plano de Menina: ser jornalista!

Nai Bertão

Fiquei mega surpresa esta semana quando recebi na redação um boné do projeto #PlanodeMenina, da minha super amiga Vivi Duarte, do Plano Feminino, em parceria com a Seda. O que me deixou mais estonteante é que eu passei grande parte da minha semana justamente pensando no meu primeiro Plano De Menina: ser jornalista.

Segunda-feira foi um dia atípico. Eu subi num palco – tremendo – para receber o Troféu Mulher Imprensa de 2017. Como jornalista, ser reconhecida num prêmio assim foi muito-muito-muito gratificante. Eu e mais 16 mulheres poderosíssimas pegamos o microfone e, segurando o trófeu, falamos sobre nossas lutas diárias e nossos valores, questionamos o machismo ainda presente no mercado de trabalho e prometemos unir forças para mais mulheres subirem em palcos como aquele pelo Brasil e mundo!

Mas, para mim, a parte mais importante daquela noite foi quando, esperando para ser chamada e escutando aos discursos, parei para pensar como havia chegado ali. E de repente eu percebi que estava realizando o meu primeiro Plano De Menina: ser uma jornalista reconhecida pelo bom trabalho que eu fazia. Eu brincava de escolinha e de banco desde pequena. Adora livro, papel, caneta e lápis de cor (Faber-Castell foi minha marca favorita no mundo por anos). Era curiosa e adorava aprender (naqueles tempos em que o conceito de bullying ainda não existia, eu era a CDF da turma). Mas foi só aos 12 anos, quando eu cursava a 6ª série, que o plano de ser jornalista ficou claro na minha cabeça.

Estava eu assistindo televisão numa tarde de sábado quando a coordenadora da escola apertou a campainha de casa. Ela veio dar a notícia de que eu tinha conquistado meu primeiro prêmio na vida: o segundo lugar do concurso de redação da filial da TV Globo da região onde morava. Uma semana depois lá estava eu, meu pai e minha irmã conhecendo os estúdios da TV TEM em São José do Rio Preto. Era isso: eu gostava daquilo, ia ser jornalista. E mais: seria famosa um dia, usaria saia justinha e longa e teria uma mala de viagens bem bonita. Nascia meu primeiro #PlanoDeMenina.

Seis anos depois, aos 18, viria para São Paulo estudar Jornalismo. Logo comecei a trabalhar, já escrevendo sobre economia. Fiz pós-graduação. Escrevi um zilhão de matérias. Tenho meus projetos pessoais de conteúdo. Trabalho na revista que eu sempre gostei de ler – desde meus 15 anos, quando meu pai a assinava. E cá estou, aos 29 anos, com meu quinto prêmio na vida e sentindo que meu primeiro plano está mais do que realizado.

Com tudo isso na cabeça, antes ainda de subir naquele palco, eu pensei que o fato de ser mulher, de vir do interior, de não ter tido acesso à cultura como meus amigos que moravam em SP tiveram, de não ter pais endinheirados, nada disso me impediu de conquistar aquele meu primeiro plano. Eu nunca me senti incapaz. Eu nunca me senti inferior a nenhum homem. Eu nunca pensei que seria impossível, como muitos acreditam. Eu segui. Caí, mas levantei. Pensei em desistir, mas continuei. Chorei, mas voltei a sorrir. E essa persistência, essa fé e essa força de vontade são minhas e são elas que vão me acompanhar em todos os outros planos de menina que eu quiser conquistar. E eu nunca vou deixar de sonhar com mais dias como o daquela segunda-feira, que eu perceba que cheguei lá. #JuntasArrasamos #PlanoDeMenina

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