[Valor Investe] Que tal contratar sua morte pela internet?

Não, não estamos falando de chamar alguém para adiantar o Juízo Final, mas sim comprar, em vida, um espaço para descansar após a morte

mercado da morte

(Matéria publicada originalmente no Valor Investe em 14/05/2019)

Por Naiara Bertão

A morte é quase um assunto proibido. Podemos até ter medo dela, fazer piada, sentir mal-estar ou nos matar (não literalmente, claro) na academia e com dieta para postergar a hora H. Mas o fato é que ela virá, mais cedo ou mais tarde. Não é difícil imaginar porque o mercado funerário é promissor, né?

Nas próximas décadas, 7,7 bilhões de pessoas que hoje estão vivas no mundo todo, vão desta para melhor. Mesmo se você viver mais de 100 anos, como a japonesa Kane Tanaka, de 116 velinhas sopradas, uma hora a conta chega.

E num mundo que só se fala de tecnologia, tem gente querendo aproveitar conceitos aplicados no mercado de alimentação, transporte e comércio online para ganhar mais dinheiro em túmulos e funerais. Este é o caso da Ziigo, uma empresa de tecnologia que surgiu há menos de um ano e vê algo além de jazigos indo e cifrões voltando (e não estou falando de fantasmas).

Você sabia que já pode comprar um jazigo ou uma cova pela internet e parcelar em até 360 meses? E se fosse possível também escolher neste mesmo site o grupo musical para tocar no seu velório, a flor da coroa que vai acompanhar o seu caixão, o próprio caixão ou urna (casos de cremação), os quitutes que vão agradar (ou desagradar) seus familiares enquanto falam bem (ou mal) de você e até contratar uma revoada de pombas brancas depois do Amém?

Se já conseguimos facilmente pedir para entregarem qualquer coisa em casa, agendar a viagem dos sonhos sem sair do sofá e ainda – quase impensável anos atrás – fazer transferências bancárias e pagar boletos sem ter que ir a uma agência, por que não contratar nosso funeral ou de terceiros pela internet.

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Supermercado da morte

Percebendo essa defasagem no mercado da morte (ou death care, no termo em inglês), cinco sócios, alguns já do ramo, resolveram fundar a Ziigo para ser o principal destino de quem quer contratar serviços funerais pela internet.

A ideia surgiu quando um dos sócios, Vicente Conte Neto, sócio da gestora Zion Invest, que administra o primeiro fundo de investimento imobiliário em cemitérios do Brasil (o CARE 11), foi buscar uma solução para comercializar os 2.500 jazigos do estoque do cemitério do Morumby, em São Paulo, e de outros investimentos do CARE11. Conheça mais sobre o fundo imobiliário aqui.

Conte Neto viu, então, que outros cemitérios que o fundo havia investido também não tinham uma boa estratégia de comercialização de sepulturas, covas, gavetas e ossários. Conversou, então, com amigos e montou, no ano passado, a Ziigo, a primeira plataforma online dedicada ao mercado da morte.

Um dos serviços já disponíveis é a venda de túmulos. Por enquanto, quem entra no site da Ziigo pode comprar, em até 360 meses, um espaço nos cemitérios do Morumby e da Terra Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Mas o plano dos cinco sócios – Adriano Napoli, Fabiano Loures, Bernardo Teixeira, Stella Costantini Conte e o próprio Vicente Conte – é comercializar sepulcros de cemitérios do país todo, como faz sites como o Mercado Livre e Amazon para outros produtos.

Quem compra um jazigo, leva sem custo adicional um seguro prestamista e um auxílio funeral familiar, uma parceria que a Ziigo fez com a seguradora Centauro-ON.

“O foco é ser o maior grupo de cemitérios do Brasil sem ter de comprar os parques diretamente. Queremos dar oportunidade para as pessoas gerarem renda em um dos mercados mais tradicionais, diz Fabiano Loures, sócio da Ziigo e da ONLi, um site que simula, customiza e emite apólices de seguros pela internet.

A proposta é, inclusive, ajudar os donos dos cemitérios a administrar melhor seu inventário de jazigos, fazer uma gestão de vendas mais eficiente e distribuir seus produtos em todo o país por meio de um software recheado de informações e análises, muito similar ao que o Ifood e o Mercado Livre oferecem a seus restaurantes e lojistas.

Outra ideia é oferecer, mais adiante, no site a venda de produtos complementares, como urnas, caixões, flores e qualquer outro acessório necessário para um funeral ou ritual de cremação. Inclusive, viagens para familiares e amigos espalharem as cinzas dos falecidos. No fim, a família ou a própria pessoa poderá customizar a morte que quiser.

Seguros

A entrada de Fabiano Loures no grupo, porém, não foi à toa. Sua experiência no setor de seguros com a ONLi aponta claramente um caminho que a Ziigo quer seguir desde que abriu as portas – a do lucrativo e ainda pouco explorado mundo das apólices de seguro e planos funerais. A empresa já está desenvolvendo com outra seguradora planos de seguros inovadores, que devem ser lançados em breve.

Link para a matéria original: Que tal contratar sua morte pela internet?

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