Você é uma impostora como Michelle Obama?

Entenda o que é a Síndrome do impostor, da qual a ex-primeira-dama dos EUA sofreu por anos, e porque você precisa driblá-la se quiser crescer na vida

Por Naiara Bertão, Valor Investe — São Paulo – 23/08/2019

Em uma entrevista no fim do ano passado, a ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama surpreendeu a todos ao dizer que sofreu por anos da Síndrome do Impostor. Você pode não ter ouvido falar dela, mas eu garanto que em algum momento da sua vida já sofreu seus males.

Para começar, vamos ver o que a própria Michelle falou sobre o assunto:

“Entrar em uma faculdade de elite, quando o seu orientador vocacional no colégio disse que você não era boa o suficiente, quando a sociedade vê crianças negras ou de comunidades pobres e rurais como ‘não pertencentes’… Eu, e muitas outras crianças como eu, entramos ali carregando um estigma.”

“Hoje em dia, crianças mais jovens chamam isso de Síndrome de Impostor. Sentem que não cabem ali, não pertencem. Eu tive de trabalhar duro para superar aquela pergunta que (ainda) faço a mim mesma: ‘eu sou boa o suficiente?’. É uma pergunta que me persegue por grande parte da minha vida. Estou à altura disso tudo? Estou à altura de ser a primeira-dama dos Estados Unidos?”, disse Michelle Obama, em visita ao Reino Unido.https://www.youtube.com/embed/5EP-ljBlf38?origin=http://valorinveste.globo.com

Michelle é referência para muitas mulheres e homens hoje em dia e passa a imagem de ser uma mulher poderosa, forte, bem-sucedida e feliz. Mas, como qualquer ser humano, sofre das mesmas armadilhas psicológicas que nós.

Outra referência para mim, a jornalista francesa e ex-consulesa da França no Brasil, Alexandra Baldeh Loras, conta em seu painel chamado justamente “Síndrome do Impostor”, no TEDxSão Paulo, que as pessoas costumam perguntar com frequência se ela realmente é francesa. Isso porque Alexandra é negra.

A esse ponto você já deve ter entendido do que se trata a Síndrome do Impostor, no nosso caso, Impostora. Muitas vezes achamos que não merecemos as coisas boas que nos acontecem. Que não deveríamos estar na posição profissional que estamos, que não deveríamos ter sido promovidas porque não somos habilitadas para isso. Que algo está estranho em nosso relacionamento ou com a família porque está tudo bem demais. E também que talvez não somos merecedoras de ganhar dinheiro (ou mais que nossos colegas ou companheiros e companheiras).

Resumindo, achamos que somos impostoras nas nossas vidas.

Leia também: Você pode estar sabotando o seu crescimento

Colocando assim em palavras soa até ridículo, né? Mas levante o primeiro dedo quem nunca pensou algo assim.

O sentimento de não pertencer ou de não achar que você é boa ou competente suficiente para algo nos paralisa e nos prejudica a crescer na carreira, a alcançar nossos objetivos e a enriquecer e gerir melhor nossos recursos.

Muitas de nós, quando começam a se sentir assim, dão um passo para trás. Não dão sua opinião em reuniões, não pegam mais responsabilidades e, consequentemente, acabam perdendo oportunidades de crescimento.

E quando falamos em diminuir as diferenças de salário entre homens e mulheres e ocupar mais espaço no mercado de trabalho, é importante você não se autoboicotar.

Uma história pessoal. Há dois anos eu fui indicada como finalista do prêmio Troféu Mulher Imprensa. Nunca me imaginei sendo indicada pra nada, quanto mais para um prêmio em que eu concorria com jornalistas mulheres muito boas. Na hora que um colega me contou, minha reação foi de incredulidade: “Acho que me confundiram com outra pessoa”, falei. Até hoje não sei quem me indicou – no fim, acabei ganhando o prêmio na categoria revista impressa – e por muito tempo fiquei com a impressão de que eu não merecia aquilo. “Tanta gente melhor do que eu”.

Por que eu me senti uma fraude no meio de tanta mulher competente? Por que tantas vezes achei que estava apenas tendo sorte? Por que eu não poderia ser suficientemente boa e competente para estar lá entre os finalistas e ganhar a premiação?

Bom, quando falamos de dinheiro, o nosso comportamento e nosso “mindset” (a palavra do momento) é muito importante. Você tem que se sentir merecedora de mais: mais dinheiro, mais sucesso, mais felicidade, posições superiores…

Bora mudar isso?

Michelle Obama aconselha:

“Eu acho que muitas mulheres e muitas meninas de todas as classes sociais andam por aí carregando esse tipo de pergunta. Como eu superei isso é como eu superei qualquer coisa. Trabalho duro. Toda vez que duvidava de mim mesma, dizia para mim, vou trabalhar ainda mais, vou deixar meu trabalho falar por si. Eu ainda faço isso. Sinto que, de alguma forma, ainda tenho algo a provar. Por causa da cor da minha pele, a forma do meu corpo, pela forma como as pessoas estão me julgando.”

Em um artigo da empresa de recrutamento e seleção Michael Page, eles dão as seguintes dicas:

Quando os sentimentos de “impostora” surgirem, reconheça a situação e escreva em um papel o que está sentindo. Isso ajuda a quebrar ciclos de pensamentos negativos e nos permite ver os pensamentos sobre outra perspectiva, como algo distante de nós.

Escreva a lista de suas forças e realizações. Isso te faz lembrar que você não é uma fraude. Quando você se sentir mal ou estiver sendo dura e crítica demais com você, passe o olho nesta lista. Mesmo o que não demos muita importância na hora, em momentos como esse pode fazer a diferença.

Dica: No Felizofia, curso de Psicologia Positiva que eu participo, na ONG Base Colaborativa, trabalhamos com um Teste das Forças bem interessante, que mostra quais são nossos pontos fortes e valores. Faça aqui (é gratuito).

  • Tente manter sua agenda em ordem e evite procrastinar. Deixar coisas para fazer depois só vai agravar o sentimento de que não somos capazes, que estamos deslocadas. A dica da Michael Page é fazer primeiro as mais difíceis porque isso dá a sensação de que você dá conta e as demais tarefas ficam mais fáceis e você se sente mais competente.
  • Aproveite o sentimento de impostora para ser uma pessoa e profissional ainda melhor. A sensação pode te dar energia e força de vontade para estudar mais, se dedicar mais a algo e, consequentemente, crescer mais.

E algumas dicas minhas:

  • Converse com as pessoas sobre isso. Você vai perceber que essa síndrome é muito mais comum do que você imagina.
  • Pare de se comparar com os outros. Se quiser se comparar com alguém, escolha mulheres como Michelle Obama e Alexandra Baldeh Loras.
  • Evite pensar que as coisas acontecem com você por sorte. Quanto você tem se esforçado para as coisas darem certo? Pense que a combinação de seu empenho e capacidade é que fizeram você se dar bem.
  • Aceite fracassos. É difícil aceitar que falhamos, mas faz parte da vida, né, gente?

Para as empreendedoras, vou sugerir que ouçam o podcast do Empreendacast com a Camilla Junqueira, diretora-geral da Endeavor Brasil. Ela conta sua história, como chegou onde está, fala sobre o ambiente empreendedor no Brasil e desafios das mulheres que estão tocando seus negócios (cita a Síndrome do Impostor). Ouça aqui!

E super recomendo esse TED da psicóloga social Amy Cuddy sobre “A nossa linguagem corporal modela quem somos“.

Artigo publicado originalmente no Blog Naiara com Elas no Valor Investe

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