[Blog Naiara com Elas] Os investidores estão dispostos a pagar US$ 0,70 a mais por ações de empresas socialmente responsáveis

É o que mostra um estudo feito em conjunto por professores das escolas de negócios das universidades de Toulouse, MIT e HEC Paris

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Por Naiara Bertão (31/01/2020)

O tema da sustentabilidade parece finalmente ter saído dos eventos setoriais e ganhado a atenção de empresários, family offices, gestores de recursos e também investidores. Até pouco tempo, quando um consultor era questionado se já sugeria ativos ligados à sustentabilidade social e ambiental, a resposta mais comum é que ainda não era uma demanda dos clientes. Agora, a cabeça do dono(a) do dinheiro é outra.

Um estudo internacional mostra que os investidores estão dispostos a pagar até US$ 0,70, a mais por ações de empresas para cada dólar que elas doam para causas sociais. Ou seja, na hora de dar valor à ação de uma empresa, agora importa o quão ética (ou preocupada com seu entorno) uma empresa é.

É o que aponta um novo estudo feito por Augustin Landier, professor de Finanças da escola de negócio francesa HEC Paris Business SchoolJean-François Bonnefon, professor da Universidade de Economia de Toulouse, na França, o David Thesmar e a estudante do PhD Parinitha Sastry, ambos da escola de negócios do Massachusetts Institute of Technology (MIT) nos Estados Unidos.

O mesmo estudo revela ainda que as companhias vistas como prejudiciais às causas sociais tem suas ações valoradas US$ 0,90 abaixo do que as outras que são “socialmente neutras”.

Experimento

Para chegar a essas conclusões, os professores fizeram um experimento na plataforma Amazon Mechanical Turk, em que pesquisadores e empresários podem postar atividades e desafios de menor escala que voluntários ou funcionários terceirizados podem realizar.

O professor Augustin Landier, da HEC Paris, explica que no experimento os participantes foram convidados a fazerem propostas para comprar ações de três companhias fictícias, que variam de acordo com o valor de dividendos que é destinado à caridade e o valor de dividendos pago aos acionistas.

Uma companhia considerada ética no experimento é a que doa parte do dividendo (fatia do lucro) para caridade e uma antiética é a que pega dinheiro de fundo social para dar aos acionistas. O terceiro tipo, a socialmente neutra, não faz nem uma coisa nem outra. A ordem em que as companhias apareciam para fazer lances era aleatória.

“Nós garantimos que os participantes entendessem o mecanismo de dar lances e suas consequências e os resultados são claros: participantes incorporaram fortemente a questão social nos preços que davam para as empresas”, conta Landier.

Como resultado, as pessoas estavam dispostas a pagar cerca de US$ 0,70 a mais por papéis de companhias que davam US$ 1 a mais por ação para causas sociais. Por outro lado, as empresas que tiravam US$ 1 das ações de caridade para dar de lucro aos acionistas eram avaliadas US$ 0,90 abaixo do que as do tipo neutras (grupo de controle).

Investimento responsável — Foto: GettyImageInvestimento responsável — Foto: GettyImage

Investimento responsável — Foto: GettyImage

Quanto mais caridosa, melhor

O interessante é que, quando os pesquisadores dobraram o montante de dinheiro que a empresa aplica em questões sociais, o valor que os investidores pagariam a mais para ter uma ação desta empresa é o dobro. O mesmo foi visto na contramão: o lance feito pelos investidores para papéis de companhias diminuiu pela metade no cenário em que a empresa tira US$ 2 (e não mais US$ 1) do fundo social para distribuir aos acionistas.

“Nós vimos que os investidores se comportam de maneira semelhante, independentemente de seus lances serem decisivos para o comportamento ético das empresas. Como seus níveis de generosidade permaneceram os mesmos, o que parece é que os investidores são movidos por um objetivo de ‘alinhamento de valor’ e não por um objetivo de impacto ”, diz Landier.

Um estudo deste tipo não poderia ter chegado em melhor momento: o tema do ano é sustentabilidade no mundo dos negócios e em aplicações financeiras. Foi um dos tópicos centrais de discussão no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, agora em janeiro e também o cerne da carta anual ao mercado de Larry Fink, presidente da gestora global BlackRock, que administra US$ 7 trilhões em investimentos.

Para o time de pesquisadores, o estudo coloca um holofote na questão da responsabilidade social corporativa para a geração de valor aos acionistas, já que empresas mais benevolentes valem mais para a sociedade. Também ajuda a combater pensamentos como o disseminado pelo economista Milton Friedman de que “a responsabilidade social do negócio é aumentar seus lucros”.

E você, o que acha dessa discussão?

 

Artigo publicado originalmente no Blog Naiara com Elas no Valor Investe

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