[Blog Naiara com Elas] Para crescer, tenha coragem de ser imperfeita e de pedir ajuda

Ao contrário do que muitas mulheres acham, pedir um help não é sinônimo de fraqueza, mas sim de inteligência

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Por Naiara Bertão (26/02/2020)

Durante a apuração para uma matéria sobre mães solo, algo me chamou muito a atenção: a criação de coletivos para ajudar mães que criam seus filhos sozinhos. Funcionam como uma rede de apoio. É onde elas encontram pessoas dispostas a passar um dia com seu filho quando a escola suspende aulas ou buscá-lo na escola porque precisam trabalhar até tarde. Ou ainda um ambiente para trocar experiências, pedir conselhos e desabafar.

Para muitas mulheres, esses lugares são chave para que elas consigam pagar as contas e cuidar dos filhos. Nem toda empresa – sabemos bem – tem horários flexíveis e creches e, muitas ainda preferem nem contratar quem tem filho, ainda mais pequeno. Isso sem nem citar a dificuldade que muitas grávidas têm em conseguir qualquer posto de trabalho. É uma triste realidade que, infelizmente, não está mudando tão rápido.

Essa ideia de uma rede de apoio me chamou a atenção para outro fato: nem sempre as mulheres pedem ajuda, por mais que elas saibam que não vão dar conta de tudo. Cansamos de ouvir falar que as mulheres são multitarefas, superpoderosas, fazem tudo ao mesmo tempo e bem. Não é verdade. Como qualquer ser humano, temos limitações.

Coragem para ser imperfeita

“É preciso coragem para ser imperfeita. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou.”

A frase acima foi dita pela professora e pesquisadora na Universidade de Houston Brené BrownAutora de três livros (“A coragem de ser imperfeito”, “Mais forte do que nunca” e “Eu achava que isso só acontecia comigo” – Editora Sextante), ela se tornou um ícone no tema vulnerabilidade.

Eu me lembrei muito dela (e de sua palestra no TED – super recomendo) porque ela resume bem o que precisamos fazer para crescermos na carreira: admitir para nós mesmas que não sabemos tudo e que não somos perfeitas. Entender isso é importante porque muitas vezes nós ficamos com medo dos julgamentos e dos olhares tortos e não pedimos ajuda. É fato que as mulheres precisam se provar bem mais para subir degraus, infelizmente, mas o que todas precisamos entender é que pedir um help faz parte desse processo também.

Pedir ajuda não é sinônimo de fraqueza, mas sim de inteligência.

Uma pesquisa de 2018 feita pela consultoria Robert Half com mais de 2 mil diretores financeiros americanos mostra que o maior erro que eles cometeram foi não pedir ajuda quando precisaramO segundo, adivinhem? Foi só ter pedido ajuda quando realmente não tinha mais jeito. E para completar a lista, ainda apontaram que falharam em não se conectar com as pessoas certas e não agradecer as pessoas quando elas ofereceram ajuda.

Em uma matéria de 2018 que eu lembro de ter lido na revista Galileu, da Editora Globo, a explicação de porque temos dificuldade para pedir ajuda era clara: “medo da rejeição, sentimento que está enraizado na psicologia evolucionista”.

Telepatia não promove ninguém

telepatia — Foto: Gettyimagestelepatia — Foto: Gettyimages

telepatia — Foto: Gettyimages

E não quero dizer apenas pedir ajuda para resolver problemas. Esse diálogo pode ser importante para você conseguir uma promoção, mudar de emprego ou até conseguir uma vaga se está desempregada.

Se seu(sua) chefe não sabe que você quer algo a mais, que tem planos, que está estudando e se preparando para algo, por telepatia que ele ou ela vão descobrir. Uma dica que todas as mulheres bem-sucedidas que eu converso dizem é que elas não tiveram medo de pedir uma mentoria para seus superiores, de pedir que lhe ajudassem a se preparar para voos maiores, lhe indicar para novas posições. E, minha filha, se tem uma coisa que funciona no mercado de trabalho brasileiro é indicação.

Todos os trabalhos que eu já consegui foram por indicação. Na entrevista que a Jill Ader, presidente da consultoria global de recrutamento de altos executivos Egon Zehnder, disse é que para vagas no Conselho de Administração de empresas vale a mesma lógica: 85% dos novos membros dos conselhos entram por meio de indicação de atuais conselheiros ou seu círculo de contatos próximos.

Leia também: Você sofre de estresse financeiro? Saiba o que é e porque ele pode sabotar seu crescimento

Redes de apoio

Muitas empresas já oferecem programas de mentoria para mulheres. Minha sugestão é aproveitar essa oportunidade se sua empresa te oferece. Sem vergonha de se expor, de mostrar suas fraquezas, mas encare como uma oportunidade de absorver conhecimento de alguém que entende mais que você, que pode te ajudar a seguir um caminho menos tortuoso até o topo.

Se sua empresa não tem esse tipo de programa ou você é empreendedora, você pode se associar a grupos externos que promovem eventos (palestras e cursos) para ajudar mulheres a trabalharem seus pontos fortes e fracos. Um grande exemplo é a Rede Mulher Empreendedora (RME), fundada por Ana Fontes. A agenda de atividades é intensa e o que não falta são mulheres com vontade de ajudar. O foco, como o nome diz, é para mulheres que trabalhem por conta.

Recentemente, a própria RME mapeou dezenas de outras iniciativas de apoio às mulheres brasileiras, o Mapa do Ecossistema 4.0. Você pode ver aqui.

Outra dica: para mulheres do mercado financeiro (e também empreendedoras nessa área), acaba de ser lançada uma organização não governamental latina, a Rede Iberoamericana de Mulheres em Fintech. Lançada em 5 de fevereiro, ela já começa com iniciativas em 15 países, inclusive o Brasil.

Por aqui, a ONG tem duas embaixadoras de peso: Ingrid Barth, Diretora da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e do Comitê Jovem Empreendedor da FIESP, além de fundadora do banco digital para pequenas empresas Linker; e Fernanda Ribeiro é fundadora da Associação Afrobusiness Brasil e co-fundadora da Conta Black.

A ONG atuará em três frentes: aproximar jovens mulheres a entrarem no mercado financeiro e empreender; publicar boletins periódicos com novidades sobre o setor; e sugerir políticas públicas para inclusão de mulheres no sistema financeiro. A organização conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da ONU Mulheres.

Por fim, para quem precisa de ajudas mais técnicas, especialmente as empreendedoras, há alguns programas de aceleração bem legais. Uma deles, exclusivo para o público feminino, é o Programa Mulheres Inovadoras da Finep. Recentemente, a Financiadora de Estudos e Projetos lançou seu primeiro edital para selecionar 20 startups lideradas por mulheres para receberem um programa de aceleração durante 30 dias. Depois disso, cinco delas serão premiadas com R$ 100 mil cada. O prazo para inscrição vai até 16 de março.

Seja na empresa, nas redes sociais, ONGs ou fundações, o importante é sabermos que temos para quem pedir ajuda (de qualquer tipo) se precisarmos, sem medo de julgamentos. Bora brilhar e ofuscar!

Sugestões, críticas (também elogios), escreva para naiara.bertao@valor.com.br

Artigo publicado originalmente no Blog Naiara com Elas no Valor Investe

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