Blog Naiara com Elas – Como você quer ser percebida pelas outras pessoas?

Quando falamos de storytelling, as histórias que mais inspiram são as autênticas, verdadeiras e que mostram os reais dilemas das pessoas

Por Naiara Bertão, Valor Investe — São Paulo – 11/10/2020 

Comecei esta semana um curso sobre empoderamento pessoal – o Women Empowerment Program – do Fin4she, e logo a primeira aula foi sobre storytelling. Apesar de ser jornalista, para mim é sempre difícil falar de mim mesma em público. Justamente por ser jornalista, sempre tive que me deixar de lado: a informação, mais isenta possível, é sempre mais relevante.

Ao entrevistar as pessoas, sempre é o veículo e a reportagem que importam – o entrevistado fala, eu escuto. Mas desde o começo do ano passado, quando passei a escrever um blog próprio – Naiara com Elas – eu comecei a me expor mais e isso me levou a dar voz às minhas lutas pessoais e profissionais, especialmente por mais mulheres no mercado financeiro, seja trabalhando ou gerindo o próprio dinheiro. Veio, no fim do ano passado, o reconhecimento com o título de Linkedin Top Voice, oportunidade que agarrei com as duas mãos para ecoar temas de empoderamento feminino e educação financeira.

E aí veio o professor e lançou a pergunta: “Como você quer ser percebida pelos outros?“. A gente sabe que a primeira impressão é muito forte para definir a nossa percepção sobre algo ou alguém. Ou seja, é muita responsabilidade essa “primeira apresentação”. Quando ele perguntou, deu ‘bug’ na minha cabeça. Eu realmente não sei como quero ser percebida, mas sei que eu não quero, nunca, passar uma imagem diferente do que eu realmente sou.

Nunca fui lady, nunca me vesti super bem, sempre falei palavrão, sou estressada por natureza, organizadora-nata (sem isso minha mente é dominada pelo caos) e se tem algo que me tira “do sério” é injustiça. Mas mais importante do que minha personalidade é o que eu consigo realizar com ela. Eu sou uma “fazedora”.

“Suas histórias definem quem você é e como você é percebida. A gente não pode ser coadjuvante, mas protagonista das historias”, disse, sabiamente, Fábio Mattos, professor do curso.

Se tem algo que aprendi sobre contar histórias é que a autenticidade é o mais importante. É ela que vai gerar empatia, é ela que vai fazer com que as pessoas se identifiquem e entendam a mensagem final. Na aula de storytelling, a autenticidade veio ao lado de três premissas: histórias são sempre sobre alguém, que passam por uma jornada tumultuada (a vida é assim, né?) e superam os obstáculos.

Eis que me inspirei em tantas histórias inspiradoras da turma e rascunhei a minha. O mais legal da nossa vida, na minha opinião, é poder reescrevê-la sempre. Espero que, a partir do depoimento, as pessoas entrem um pouco mais no meu mundo – e também se inspirem.

“Meu nome é Naiara (Nai), tenho 32 anos, sou jornalista e inquieta. Quando eu era criança eu queria ser superdotada. Eu não sabia direito o que isso significava, mas eu tinha certeza que eu queria ser uma pessoa especial. Ler livros da Coleção Vagalume com seus heróis-mirins só me fez acreditar que eu poderia fazer algo extraordinário. Minha cabeça sempre foi muito criativa e sonhadora – não sou pisciana à toa.

Mas eu também sempre fui muito proativa e ‘fazedora’. Se coloco um objetivo na cabeça, eu faço todo o possível para dar certo. Foi assim que eu passei na USP em Jornalismo direto do 3º Colegial (tinha um namorado que morava em São Paulo – claro, também queria estudar em uma boa faculdade). Foi assim que consegui meu primeiro estágio no 2º ano de faculdade (tinha claro que querer ser independente financeiramente).

Naiara no projeto Plano de Menina em 2018 — Foto: Arquivo pessoal

Foi também pelo meu jeito proativo que me destaquei na minha profissão, com alguns prêmios e o título de LinkedIn Top Voice (oferecer conteúdo de qualidade às pessoas é mais do que uma meta, é uma missão de vida para mim).

Foi por isso também que sempre viajei sozinha quando queria conhecer algum lugar, inclusive em uma missão voluntária por comunidades ribeirinhas do rio Negro, na Amazônia. Meu ascendente em sagitário me trouxe essa coragem de ser independente.

E é também por isso que eu estou envolvida na reestruturação na ONG de educação financeira (Ação Jovem) da qual sou quase presidente (assumo este mês) e estou usando todas as ferramentas que tenho para incentivar mulheres e jovens a cuidar de seu próprio dinheiro e da carreira. Como repórter do Valor Investe eu consigo escrever sobre muitos assuntos relevantes para o bolso dos brasileiros. No meu blog – Naiara com Elas – eu falo sobre finanças, carreira e empreendedorismo para o público feminino.

Obstáculos são quase sobrenomes de objetivos. Ser sempre chamada de “louca”, ainda que de brincadeira pelos amigos, já virou rotina. Estudar período integral – e nos churrascos de fim de semana – para passar na USP não foi fácil. Ter a primeira crise de gastrite no primeiro estágio porque você não sabe nada e faz o tempo todo besteiras não é simples de superar. Não ter alguém super próximo para dividir as histórias divertidas e se estressar nos perrengues em viagens não é agradável. E enfrentar todas as lutas invisíveis e visíveis para que as mulheres sejam respeitadas por todos, para que as empresas entendam o poder da diversidade e não falem dela só para se promover, e para que as próprias mulheres vejam seu valor e tomem as rédeas da sua vida não é nem um pouco um trabalho de um dia.

Se tem algo que realmente quem me conhece sabe é que tenho muita energia e zero preguiça de ‘trabalhar’ no sábado, domingo, feriados, hora do almoço, à noite… para realizar os meus sonhos. E meu sonho hoje é que as meninas e universitárias entendam que podem conquistar os espaços que quiserem. Estou pessoalmente envolvida nisso em um novo projeto, o Minas de Valor, que pretende levantar recursos junto ao setor privado para dar acesso à informação de qualidade (assinaturas do jornal Valor Econômico) para estudantes de baixa renda que queiram trabalhar no mercado financeiro. Ainda tem um longo caminho para sair do papel, mas estou caminhando, e é isso que importa.

Naiara em evento da ONG Ação Jovem (2019) — Foto: Arquivo pessoal

Naiara em evento da ONG Ação Jovem (2019) — Foto: Arquivo pessoal

Durante esses anos sempre tive muito claro três coisas: 1) nunca me sentir menor do que ninguém – isso inclui homens e mulheres; 2) propósito não é algo pontual, é o que norteia minhas escolhas sempre; 3) é importante ter humildade o suficiente para admitir que tenho muito o que aprender para realmente absorver o que as pessoas têm para me passar de ensinamentos.

Depois de algum tempo entendi que eu não precisava ser superdotada para ser especial. Eu poderia ser especial com a inteligência que eu já tinha e usando isso para impactar outras pessoas. E posso dizer que já fiz muitas coisas especiais nessa vida. E o melhor de tudo? Tenho apenas 32 anos. Há muito mais para fazer.”

E você, como você quer que as pessoas te vejam, te percebam e como pode inspirá-las?

Naiara em Madri — Foto: Arquivo pessoal

Naiara em Madri — Foto: Arquivo pessoal

Artigo publicado originalmente no Blog Naiara com Elas no Valor Investe

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