Naiara Bertão é destaque no canal de empoderamento feminino Fin4SHE

FIN4YOU é uma série de entrevistas com lideranças na área de empoderamento feminino. Naiara Bertão foi destaque na edição de 23.12.2021 por sua atuação como jornalista e idealizadora do projeto Minas de Valor. Leia a entrevista na íntegra:

Como começou sua carreira?

Sou formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP). Vim para São Paulo com 18 anos para estudar e desbravar as oportunidades que a vida poderia me trazer.

Foi a motivação para ser independente financeiramente que me fez começar um estágio logo no início do segundo ano de faculdade . 

Mas foi o encanto pela profissão, pela possibilidade de passar às pessoas o que eu ouvia, via e aprendia, é que me fez crescer e trabalhar nos maiores e melhores veículos de Jornalismo Econômico do país. 

Escolhi Economia, Finanças e Negócios por ser algo que me desafia constantemente a sempre me atualizar e por ser um dos temas mais importantes na vida das pessoas e empresas. 

Qual foi o momento mais difícil/desafiador da sua carreira? Já pensou em desistir?

Eu sofro constantemente da Síndrome da Impostora. Não sinto que sou boa o suficiente, não me sinto merecedora de muitas glórias, sempre acho que tem gente mais qualificada do que eu para fazer aquilo que estou me propondo ou que me propõem.

Por causa disso, tive muitos momentos em que achei que não ia conseguir. Por outro lado, tenho valores, ideologias e crenças muito fortes e que me levantam quando preciso, quando não me sinto preparada. 

Um dos momentos mais difíceis foi quando, em 2015, fui demitida de um veículo que trabalhava e onde eu já estava muito insatisfeita há tempos, mas não tinha coragem de sair. 

Era nova e precisava daquele selo no currículo. Mesmo entendendo, racionalmente, que tinha sido a melhor coisa para mim, era uma sensação de derrota gigantesca. 

Em São Paulo, o crachá importa muito e quando ele é arrancado de você, você não sabe nem como agir a partir dali. 

Ao mesmo tempo, meu namoro de 2 anos chegou ao fim e meu emocional foi parar no chão. 

Pensei em voltar para a casa dos meus pais algumas vezes, mas tenho uma força interna que me move em prol dos meus objetivos (que eu nem sabia que tinha), que foi primordial para me levantar. 

Eu me permiti ousar e fazer algo diferente. Logo consegui uma vaga de emprego em uma startup(nunca tinha trabalhado em empresa que comunicação não fosse o “core”/coração do negócio), que foi uma das experiências mais legais e importantes da minha vida profissional. 

O que te move?

Eu sou movida por descobertas. Como jornalista, aprender algo novo é algo que me energiza, ainda que, em um primeiro momento, sair da zona de conforto é sempre difícil.

E, da mesma forma, quero sempre proporcionar essa sensação às pessoas, em especial, mulheres. 

Quero que elas olhem para elas e vejam as descobertas sobre si, sobre suas potencialidades que não estavam à mostra, e sobre o mundo. 

Quero que elas sintam (dentro delas) que são capazes de realizar sonhos, de planejar sua vida e carreira, de ganhar e gerenciar o próprio dinheiro, de serem independentes e livres, entenderem as limitações e trabalhar em cima delas. 

O autoconhecimento combinado com a educação são vitais para isso. 

O que é liderança para você?

Eu acredito acima de tudo na genuinidade. Se não formos genuínos com o que acreditamos, ninguém vai acreditar também.

Todas(os) as(os) grandes líderes que eu conheço são autênticas(os), são verdadeiras(os) em seus valores, propósitos, crenças e planos.

Quando nós estamos envolvidas(os) com algo que nos é valioso, as pessoas em volta naturalmente entendem a causa e nos seguem. 

A falsidade, o marketing que apenas encapa algo que não é genuíno, não é consistente. 

Outro valor forte que eu acredito que a(o) líder precisa ter é transparência, que está ligada à autenticidade, e, com ela, a vulnerabilidade. 

Ninguém é forte o tempo todo, ninguém sabe tudo o tempo todo, ninguém tem autoconfiança o tempo todo. 

Mostrar que há vulnerabilidade nos torna humanos e desmistifica a figura da heroína e herói, que, para um líder, eu acredito que mais afasta (“inalcançável “) do que inspira. 

Como ir além na equidade de gêneros? Quais são as práticas que funcionam?

Eu acredito que o mapeamento do que falta para chegar à equidade é sempre o primeiro passo.

Olhar quais as oportunidades que não existiram, os aprendizados que ninguém ensinou, a confiança que ninguém estimulou, é sempre importante como passo zero.

Acredito que, especialmente mulheres, por questões históricas e culturais, ainda sofrem muito com crenças limitantes (” não sou capaz”, “não é pra mim”, “não consigo aprender “, “já estou velha pra isso”, “não tenho inteligência para aprender “, “não sou boa com números ” e por aí vai). 

Esse é o passo 2 , Mostrar a elas que são capazes sim e que são merecedoras do sucesso sim. 

Depois, vem o oferecimento do que faltou para elas entrarem no mercado de trabalho com o mesmo potencial a ser desenvolvido (habilidades técnicas em especial), que podem ser providas pela iniciativa privada e/ou pública . 

Por fim, na minha opinião, temos que desmistificar nas empresas a crença na meritocracia . NÃO partimos de bases iguais, isso é uma falácia. 

Se achamos que partimos de bases iguais, nós não nos esforçamos a chegar à equidade verdadeira. 

Leia a entrevista no site original aqui: https://www.fin4she.co/naiara-bertao

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